terça-feira, 18 de novembro de 2008

A porta aberta e a minha Índia

A única certeza que tenho para dizer hoje é: deixem a porta sempre aberta. Se precisar fechá-la, mantenham então a janela aberta, por mais frio que esteja lá fora. O contato com o universo é essencial. O resto são histórias vividas num outono de 2008.

Enquanto eu admirava a lua crescente no sábado do dia 8 de novembro, ele sentou do meu lado e começou a falar tudo que eu precisava escutar. Eu não sabia quem ele era e muito menos ele sabia quem eu era. Mesmo assim me convenceu a ficar 8 dias sem contato com celular, internet e televisão. 8 dias vividos intensamente, sem pensar em nada que não fosse aqui. Contatos apenas reais, visuais e pessoais. Índia. Ele sabia e eu também. Era preciso lavar a minha alma. E nesses dias apenas 3 coisas podiam me acompanhar durante meus rolês: um caderninho, uma caneta e a uma máquina fotográfica.

Hoje, por incrível que pareça sou outra pessoa depois desses 8 dias, além disso tenho 50 páginas escritas no caderninho e 250 fotos. Momentos para serem guardados. Conheci muita gente, vi Barcelona com outros olhos, respirei outros ares, senti coisas nunca sentidas, corpo e alma no mesmo lugar. Vi a lua cheia mais linda de toda minha vida, um pôr-do sol inesquecível, um passeio de trixi engraçadíssimo, admirei um jazz de frente pra praia, um folk na frente da catedral gótica e três argentinos tocando fudidamente chorinho que depois misturaram com tango. E num simples toque de retiro espiritual, passou. E consegui entender que não é o Raval. É o MACBA mesmo que mexe comigo, que me inspira e que me acolheu diversas noites em Barcelona. É ele. Meu museu predileto. Antes do MAM. Sinto em dizer isso. Mas já é a pura verdade. O MAM já foi minhas tardes acompanhadas de roles pelo Ibira. Já foi minhas manhãs acompanhadas de caminhadas pensativas. Aquela sensação que ainda é de manhã e antes de qualquer movimento brusco, eu tô dando um role pelo parque. No MAM já vi muitos filmes, muitas exposições, muitas palestras, muitas descobertas, já me assustei, já me apaixonei por algum quadro e já quis abraçá-lo.

Picasso tomava breja ali do lado. Num pico bem louco, ali no Gótico, perto da Catedral. Uma rua de pouca luz, arquitetura medieval, um ar totalmente gótico. Na mesma época do Guadí, do Miró e do Salvador Dalí. Vixe! Muita loucura junta. Bogatell, Arco do Triunfo, Barceloneta, Porto Olímpico, Gótico, Born, Raval, Santa Maria Del Mar, Base dos Trixistas, Porto Velho, Rambla, Passeig de Grácia, Portal de Angel, Praça do Sol, Gracia, Praça da Revolução, Jaime I, Via Laetana, escadarias do Correio, Passeig de Colom, Montjuic, Plaza España, Arena, as fontes, cidade olímpica, Pálcio de Montjuic, Castelo de Montjuic, Park Guell, La Pedrera, Fórum, Nova Içaria, Sagrada Família, Parc Ciutadella, Casa Batló, Palau da Música Catalana, Palau Guell, Labirinto, Mercat Sant Antoni, Rambla do Raval, Diagonal, Maria Cubi, Underground, Pachá, Bikini, Opium Mar, Shoko, Otto, Universal, Moog, Sant Juan, City Hall, Be Cool, Camp Noiu, Catedral Gótica, Sarriá, Mar Bella, Champegneria, Roxy, Peixe Dourado. Barcelona: Única.

Mas não se esqueçam da única certeza disso tudo: deixem a porta sempre aberta. Se precisar fechá-la, mantenham então a janela aberta, por mais frio que esteja lá fora. O contato com o universo é essencial.

3 comentários:

Marcelo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Nena, esta ciudad te echará de menos!!

Anônimo disse...

uhuuuuuuuuu irmanita