domingo, 28 de dezembro de 2008

Costume

Não tenha medo...
É só evolução.

Sinceramente tanto você como eu deveríamos sentir medo.
O que passa, o que acontece, já não é evolução.
Chamo isso de dúvidas.

Dúvidas que procuram a resolução.
A resolução que me sufoca;
Que me acorda do meu eterno sonho vivido.

Talvez todos esses resultados fossem “evolução”.

Peço desculpas... sinceras.
Por ter me apressado no início do poema com a conclusão.
É costume!
É costume que tento perder.

Não tenha medo!!

Não ache que possa ler isto apenas uma vez...
Leia quantas vezes forem necessárias.
Porque aqui passo uma mensagem...
Um pouco clara...
Apenas para entendedores de “mari’.

Não posso ser mais clara.

Desculpe mais uma vez.
Por ser quem você não espera.

Você neste poema é você!
Você que está lendo isto agora.
Oi?
Tudo bem?

Peço desculpas pela terceira e última vez.


Mari 25/01/03

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Aprendiz

Quando eu chego de madrugada em casa prometo a mim mesma sempre a mesma coisa: amanhã eu não saio de casa. E ai no dia seguinte sempre aparecem convites imperdíveis. Como ontem (valeu Lipe e Bê), como domingo (valeu Ale, Lica e Marco), como sábado (valeu Tati e Cela), como sexta-feira (valeu a galera inteira reunida). Acontece que hoje tem mais e amanhã também.

É aquela velha história: existe vida lá fora. A sensação de sair de casa e não saber como será meu dia ainda existe e ainda me apaixona. Me sinto totalmente livre, livre de conceitos, livre de notícias, livre de fofocas, livre do passado, livre do futuro... jogada no mundo. Mas sinto falta do kms percorridos por mim em Barcelona. Literalmente keep walking. Além disso, sinto uma saudade enorme deles passando pela minha rua de skates. Era só sentar no banquinho da pracinha e admirar, um mais estiloso que o outro e aqui em Sampa eles são quase todos iguais.

Pra quem achou pela quarta vez que tinha chegado no topo da evolução, perdeu a escada novamente. Agora é de degrau em degrau. Algum dia desses, não lembro direito quem, deixou escapar pela boca dele, que quem vai a busca de sua evolução, caminha o resto de sua vida, porque a evolução simplesmente não tem fim.

Enquanto o mundo gira, finalmente chegou o natal. E o natal pra mim é o dia totalmente de paz e de boas energias. Amo muito passar o natal aqui em casa e esse ano família reunida again!!!

Espero que todo mundo ganhe nesse natal um bocado de paz e um bocado de amor e que na virada ganhe um bocado de idéias e um bocado de coragem para o próximo ano!!!

Gracias!!!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

As companheiras de crime

Elas estão na frente da Catedral Santa Maria Del Mar. Esperam sem nenhuma paciência a outra mulher sair da igreja. A morena fuma um cigarro atrás do outro e a loira come compulsivamente chicletes de melancia. Elas não conversam, apenas olham a cada minuto o relógio. O tempo corre e a mulher não sai. Até que a loira joga o pacote de chicletes no chão e entra na igreja. A morena acende outro cigarro e começa a andar de um lado para o outro. A loira aparece com a outra morena pelas as escadarias da igreja. A outra morena desce devagar segurando uma pá e uma rosa. A morena fumante abraça fortemente a outra morena e a loira. Só uma chora. A mesma que arremessa a rosa longe. As duas entregam as novas pistolas para ela. Mal sabia que a sua nova paixão era atirar. As três sobem em suas motos e disparam os três tiros. O crime começou semana passada. Mais de 30 tiros foram disparados por elas. Os feridos ainda não se identificaram. E ainda não há rastros do local do crime.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Welcome

Se me perguntarem qual foi a placa que eu segui ontem, só posso responder que era alguma coisa com welcome. Por sinal, a cada lugar que eu vou, sou recebida da mesma maneira que em Barça: Seja bem-vinda. E nessas vindas e idas, perdi a conta de quantos copos estavam na mesa: marguerita, gin tônica, cerveja, água, red bull, vodka. Sentimento lá em cima por voltar a frequentar as baladas de sampa. Saudade. E de balada em balada, terminamos a noite no trash Ventania. E ai você percebe que não existe o pause, o play, o stop. A única solução é apertar o eject! Out! Welcome to Tijuana, Zizilândia, Índia, México, Ilhas Maldivas! Ha! Agora quem atira sou eu.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A última chamada...

"Caiu na roda, ou acorda ou vai rodar"

Sorry! Sem título!

Foi assim. Tive que voltar. Legal ter essa sensação aqui. Ela fazia parte de muitos dias em Barcelona. De repente, eu precisava voltar pra casa. Precisava escrever para não esquecer. Era algo maior que eu. E hoje à noite eu tive isso. Juro que teve uma hora que minhas pernas tremeram. Era muito sentimento. Daqueles que explodem. Vontade de gritar, de chorar de rir, de agradecer de novo. Foi quase assim a minha manhã ao ouvir que Ronaldo vai jogar no Corinthians. Hahahaha. Eu sou muito feliz por ter visto o Ronaldo jogar, principalmente na seleção. Daqueles que ressurge das cinzas. Adoro. Adoro quem renasce assim e mostra como se faz. Tipo touro. Fiquei 7 meses batendo boca com qualquer espanhol que me dizia que não entendia a minha admiração pelo fenômeno. E eu só respondia, ah é, esqueci que vcs não entendem de bola. Lá a gente entende tanto que o chamamos de Fenômeno. Lembro ainda daquela manhã de ressaca ouvindo um jazz na sala, a foto do Ronaldo no jornal espanhol dizendo que ia para o Corinthians. Aquilo me causou uma euforia, mudou meu dia, sorri a toa e quando chego aqui é assim que Corinthians me dá boas-vindas. Haha. Obrigada, obrigada.

Algo borbulha dentro de mim. Aquela sensação que tem algo mexendo dentro do seu corpo e quer sair. O que borbulha é a idéia que sai do corpo e pousa no papel. Vamos brincar de fazer projetos. Adoro acreditar e tentar. Que eu to querendo dizer é que fiquei 7 meses tentando pensar no que faria de profissão e só descobri o que eu não faria. E agora sem me preocupar com isso, as idéias vão surgindo. Eu atacaria quase para todos os lados. Escritora, pesquisadora, professora, turismo, abrir uma loja, um espaço, um restaurante, um bar, um relax, uma pousada, me responsabilizar pelas praças dos bairros, montar uma vila, construir uma cidade, um pico, fazer tudo ali. As coisas começam a fazer sentido. Tipo: preciso de uma casa no campo, onde eu possa compor muitos rocks rurais e tenha somente a certeza dos amigos do peito e nada mais... onde eu possa ficar no tamanho da paz e tenha somente a certeza dos limites do corpo e nada mais. É isso. Muitas idéias, muitos sentimentos, muitas trocas de energias. Quando estou com os brothers a troca é grande. De fazer as minhas pernas tremerem. E sabe o que é melhor? Que amanhã tem mais, quinta também, sexta também e assim vai. Só fluindo. Demais.

O universo abre muitas portas todos os dias e você precisa estar em sintonia com ele, isso se chama movimento. Você precisa estar em movimento para sincronizar com ele e enxergar as tais das portas abertas. Não pode ser só observador, saca? Porque senão as coisas entram pelas portas abertas e passam, porque quase tudo está de passagem, até nós mesmo estamos de passagem naquele determinado tempo, no determinado lugar. Se você não agarra aquilo que passa, não será seu e você continuará sentado olhando para a porta. Enfim, deixando a porta aberta, você segura uma redinha daquela que caça borboletas e faz um pequeno gesto de capturar a idéia que passou, ela já será sua. E agora é só fazer, criar, construir, produzir. Tá difícil. Queria que estivesse mais claro tudo isso para explicar, até mesmo para escrever. Mas é mais ou menos como no mundo literário existe o aventureiro, o artista, o crítico e o soldado. Eles são você. Cada hora num momento. Mas não adianta ser um só. Deixa p/ lá, realmente está difícil.

Ah, dizer que quando tá tudo bem, tá tudo bem mesmo, no máximo. Às vezes me preocupa, mas a janela ainda está aberta. Só que agora, depois da janela ainda tem aquela rede roxa ao lado do vaso de girassol.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Encontros...

Se alguém visse, se alguém estivesse lá... espero só que tenham filmado. O encontro do encontro do encontro do ano. Os 3 de volta. Rapaz haja energia. O cenário era uma pista com um som muito bom. Enquanto todos jantavam, eu, alê e o marco estávamos dispirocando na pista. E só ficou melhor quando apareceu meu pai dançando alá anos 70. E ai fudeu. Chegou a Dayse, o noivo, a noiva. Tipo contrata os 3 para animar sua festa. Dançando ala Barcelona, só que dessa vez rodeada de pessoas que amo muito. Reclamar pra quê? Só agradecer. Isso tudo me lembrou há 10 anos atrás. Nós ali na pista do cruzeiro. Valha minha nossa senhora. Domingo, todo mundo vendo o jogo e eu andando por ai. E por essas ruas, vira a direita, vira a esquerda, trombei o bar do Antão. Fiz um escândalo, daqueles do outro lado da rua. Que bom que ele entrou na vibe e pulou o muro para me abraçar. É assim que tem que ser. A gente anda e se tromba, por ai. Apesar de tudo, os dias estão lindos. Exatamente como Barca. Sol. Aqui fica o convite todos os dias para vocês, estou sempre ali no parque, quem quiser, é só colar. Ah, pra fechar: A vida é simples, sempre!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Não sei ainda se está na hora de enterrar ou de regar

São Paulo me acolhe. De uma forma tranqüila. Até me ouve. Naqueles dias que você olha pela janela e se questiona do sumiço do sol e do calor. Dia perfeito para ficar no parque fazendo malabares. Almoço com amiga carioca loira. Papo de boa e saudade bem-vinda. Está tudo bem. Aquele bem quando você mata aquele mal. É melhor esquecer, porque quando lembro, não adianta, são lágrimas na hora. Eu já chorei em cada lugar em Barcelona, que quando choro aqui, já não escondo. Pode durar 1 hora, como pode durar 2 minutos. Não sei se estou colhendo os frutos que plantei. Acho que não. Eu tento entender e não consigo, e ai meu irmão, só me resta pedir que tudo fique bem. Se alguém tem dúvida, olhe pra mim. É nítido. Tem amor e muito. Só não sei ainda se está na hora de enterrar ou de regar. Está tudo ainda meio confuso. Sexta-feira era dia de trampo e dia de balada. Hoje me deparo com cervejas na mesa. Mas não é mais cerveja que bebo. Às vezes sinto falta de sair andando, mas já estou saindo por aqui. E de role em role, a gente entende.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Cheguei

Cheguei. Ainda não vi todo mundo. Vi poucas pessoas na verdade. Mas as que vi, adorei. Fiz meu primeiro role a pé pelo meu bairro embaixo da chuva. Tava com minha irmã loira californiana. Nós duas estávamos afim de tomar chuva. Lava, lava. Depois encontrei a Fezão que me convidou para um outro rolê. E nessa noite eu tive uma única certeza. Não é a cidade. Sou eu. Eu que estou assim. Vivendo 30 minutos como únicos. É bom tomar café-da-manhã escutando meu pai cantando tango. É bom ver a minha mãe se deliciando em preparar almoços e jantares grandes. Melhor ainda é saber que estou aqui e quando quero ver alguém é só trombar. Agradeci esses dias ai por ta aqui rodeada de gente que amo muito, e isso não tem preço. Nesses dois dias, descobri que estou sendo mais mulher do que eu podia imaginar que um dia eu seria. Acordei um dia na delegacia, peguei o carro antes do tempo que eu dizia e casquei o bico quando escutei buzinas demoradas. É fazia uns 7 meses que não escutava isso. E estou assim, vivendo nessa vibe, quem quiser que venha comigo. O bem sempre vence o mal. E isso eu explico depois. Hoje eu vou beber uma breja por ai e espero todos vocês. Há muitas conversas e muitos olhares. Ainda não sinto saudade de Barcelona, porque tenho saudade para matar aqui ainda. E hoje fui lá pegar a minha irmã loira jericuacuarense sentada na calçada segurando sua prancha de kite. É com ela é assim, não tem tempo feio, não tem drama, é só felicidade e vento. Gracias

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Hasta...

Ontem eu entendi. Entendi que perdi muitos domingos. Faz alguns meses que ele me aconselhava passar minhas manhãs de domingos no Mercat Sant Antoni. Nunca fui. Ontem resolvi ir. Quase morri. É uma feira linda e imperdível de livros baratos. Entendi também que quando a gente não espera mais, as coisas acontecem. Ontem foi sax, flauta, bateria, teclado e guitarra. Valeu por lembrarem de mim. O after foi uma tentativa de suicídio. Não lembro direito quem carregava quem, só sei que eram 6 da manhã e eles estavam me arrastando para uma balada que acabaria às 10 da manhã. Muitos ali trabalhariam às 9h e eles estavam mais empolgados que eu. Mas eu precisava fazer minha mala, que por sinal não fechou, nem sentando, nem chutando, nem gritando. Mais difícil que isso foi sair pelo último rolê. Vixe. Pula essa parte.

Entendi que quanto mais a gente tenta saber, menos a gente sabe. Quem foi que disse que 1 hora tem 60 minutos? Quem foi que disse que o sol amanhece às 6 da manhã e não às 11h? Quem foi que disse que o ano tem 12 meses e cada mês tem 30 ou 31 dias e que só fevereiro tem 28? Alguém pode me explicar por que fevereiro tem 28 dias? E não 15? Ah e aproveita e me explica também se a expressão chata de galocha é porque a menina chata usava uma galocha. Voltando ao tempo, lembro quando ele disse que tinha congelado o tempo. Os relógios não funcionavam e as pessoas enlouqueceram. Porque não sabiam que horas tinham que almoçar e muito menos parar de trabalhar. Não sabiam se já estava na hora de buscar os filhos na escola ou se já estava na hora da aula de tennis. O relógio marca o momento da sua vontade inexistente, e existente só em alguns momentos. Difícil explicar, mas é mais ou menos isso. E já refletiu como o mundo seria se já existisse o teletransporte? Quase me perdi pensando nisso outro dia. As pessoas durariam 5 segundos ou 5 anos em cada cena. A troca cultural seria enorme e não existiria ordem. Eu só sei que se existisse, eu estaria dando um rolê pelo mundo acompanhada de muita gente.

Voltando para o não saber, vim pra cá querendo descobrir mais sobre mim. Sei agora de algumas coisas. E diria que às vezes é normal você não saber o que quer, mas é essencial saber daquilo que você não quer. E eu não quero muuuuuuuitas coisas. Por isso, não me perguntem se eu vou voltar para uma assessoria de imprensa, para uma redação, para um escritório fechado com algumas janelas. Podem ter certeza que eu estarei do outro lado da janela.

Obrigada: Marcelo, Tati, Deia, Keke, Antonio, Toh, Fê, Tuany, Bruna, Beto, Tathi, Japa, Kelson, German, Paco, Joselito, Txisti, Mestre do Magos, Jordi, Pablo, Raul, Chileno, Nami, Duda, Luis, Mari, Bruno, Fernandez, Nichola, Alex, Boris, Manu, André, Mano, Pit, Cas, Mario, Victor, Guadí. Essas foram algumas pessoas que me deram momentos em que pude chegar aonde realmente eu queria.

A última imagem, a última foto de Barça no ano de 2008 para mim. Me arrependo profundamente de não ter transformado o cartão postal em cartas carinhosas para os brothers. Isso já é outro papo.
O papo de agora se resume em uma frase: Hey Barcelona, prefiero no decirte adiós y si hasta luego!

sábado, 29 de novembro de 2008

Ensaio das últimas cenas

Acordei hoje com o barulho da chuva. A previsão estava certa. Ia chover o dia todo. Tempo feio. Nuvens carregadas cobriam o céu. Chovia forte. Grudei meu rosto na janela com um ar de tristeza. Pablo veio até a mim. Ele também grudou o rosto na janela e me olhou. Barcelona está triste Mari. Você está indo embora e ela está chorando. Eu sorri e resolvi então andar pela chuva. Fui me molhar com as lágrimas e diante de tanta chuva pedi para o céu o sol. Queria ver Barcelona feliz. Depois de algumas horas, o céu estava sem nuvem nenhuma e com um sol de puta madre. A previsão errou e Barcelona sorriu.

As despedidas começaram já faz algum tempo. Tem gente que prefere não me ver, não quer dizer tchau e nem até logo. Tem gente que não fala nada, só me abraça. Tem gente que jura de pé junto que ano que vem estarei aqui. Tem gente que só me olha e aperta minha mão. O argentino quase uruguaio não me conhece direito, mas ele só me abraça quando me vê sorrindo. Ontem me abraçou pedindo para eu sorrir. Hoje abracei o MACBA por dentro. E diante de tanto amor por um museu, ele me regalou a tarde. Assisti Freak Orlando de Ulrike Ottinger. E desculpe. Vocês terão que assistir. É impossível descrever a tamanha loucura.

Chegou à hora. A volta deveria ser mais fácil que a ida. Mas não é o caso. A volta guarda mistérios. Todos relacionados a mim mesma. Mais uma mudança pra fechar o ano. Depois de 2 verões, 2 outonos e 1 primavera. Cadê o inverno? Viramos a página. É a hora de verão. Os carneiros já não são mais nuvens. Viraram gotas. Caíram por ai. Nasceram novamente. Como tudo deve ser, ou não, vai saber. Chegou à hora. A hora de voltar pra casa. Levo comigo o meu único tesouro. E de um pote de interrogações virei um livro de contos. Contos que serão contados para aqueles que quiserem ouvir e que tiverem tempo para ouvir. A gente se tromba por ai, em qualquer esquina, em qualquer bar. Coloquem as cervejas na geladeira, eu to chegando...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Font Romeu - França


a vista de casa

encontrei o Ortiz




- Quanto tempo faz que você não vê a neve?
- Uns 19 anos!

E lá fomos nós para Font Romeu, sul da França. Temperatura agradável de – 5 graus. O caminho talvez mais bonito que já vi. A viagem pelos Pirineus cheios de neve com sol. Casa na montanha. A vista incrível. Guerra básica na neve, muito vinho e muito raclete. A placa na estrada: Snowkite. Cocei meus dedos. De madrugada nevou, mas estávamos dormindo. Acordamos cedinho para admirar a neve em todos os cantos da cidade. E ai, é assim, simples, a gente só pode sorrir!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Por aí

Tenho tanta coisa pra contar que realmente não sei se começo por sexta, por segunda, por sábado ou por domingo. Se começo pela tarde de algum dia desses, ou se começo por alguma madrugada num pub numa temperatura agradável de 2 graus. Foi demais. Então, por onde mesmo eu começo? Se na sexta eu tive uma despedida simples, do jeito que deveria ser, dizendo até breve brother, um dia a gente se tromba por ai. É que na verdade todo mundo vai trombar quase todo mundo. É só continuar sempre no rolê, não interessa em qual paralela. É sempre na paralela. O dia que tiver que pegar a transversal, a gente vira a direita. Os trixistas. Conheci eles por Keke. Eles são guias turísticos em trixis. Táxi com 2 lugares para o passageiro. Ele pedala e te leva por ai nas ruas de Barcelona. Até onde vc quer ir e do jeito que vc quer ir. Às vezes só uma viagem, como se fosse mesmo um taxi, às vezes nuns rolezinhos acompanhados de aulas de histórias sobre Barcelona. E essas histórias nem os livros contam. Às vezes é só carona. E o melhor, o trixi não polui a cidade. Turismo,táxi, barato e sem poluição. Projeto muito inteligente e que dá muito certo. Passei algumas noites, tardes, dias acompanhada de keke e os trixistas. Keke namora o Joselito, um deles. Amigão de Txiste. Já falei algumas vezes deles no blog. Semana passada eles foram para França testar os trixis lá. Por incrível que pareça, sempre me senti em casa com eles. Eles sempre lembravam a galera do kitesurf da minha irmã. A grande diferença é que eles se locamovem de trixi e os outros de kite. Sin dudas, os echaré de menos.

Ou começo falando de sábado? Aqueles dias que vc vê certos lugares e entende por aquele som é assim. Londres respira música. Transborda arte e moda. Tá na cara de qualquer um, é muita personalidade. Muita. Londres é um teco do mundo batido no liquidificador. E mais um pouco. Tá tudo ali junto ou separado, tanto faz, mas tá. Tipo Camden Town na feira Camden Loch, o pico é música, é arte, é feira, são as boinas, são chapéus, são os tennis, são as barraquinhas de comida. Vale lembrar: cada uma de seu país. Vai um chinês, italiano, espanhol, americano, mexicano, árabe, português, japonês, francês, marroquino, indiano ou tailandês? Falando em indiano e tailandês, Londres também respira um ar indiano e tailandês e por isso ai é o melhor pico para comer. E quando vc respira esse ar, vc vê ali do lado, o porque de Asian Dub Foundation. Depois passa naquele pub e vê a explicação por London Calling do The Clash existir. Vê ali naquela esquina do lado do cara sentado na escadinha porque a Amy Winehouse é ela. Entende o New Yong Pony Club, imagina o Rolling Stones, vê de mais perto o Strokes e escuta por ai o no novo cd do CSS. O bairro dos punks na década de 80. Queria ta lá p/ ver. E foi ai também que me apaixonei perdidamente sem pensar nos graffittes do Banksy. Desejei ter todos aqueles pôsteres na sala da minha casa. Virei fã. Jimmy. Namorado da Patty minha melhor amiga que mora há 10 anos na Europa. Mora há 3 anos em Londres, já viveu 4 anos na Suíça e 3 anos em Portugal. Agora ela mora com Jimmy numa casinha apaixonante no meio do bairro Maida Vale em Londres. Jimmy é guatemalteco e viveu na Suíça durante muito tempo. Em outros tempos viveu na Guatelmala e também morou em Berlim. Entende legal sobre graffite. E num desses roles me contou sobre Banksy e seus grafiitfes e nos deparamos com um bem ali do lado num muro qualquer. A menina que empurra a sujeira da rua para atrás da parede. Muito bom. E no meio da feira, pude entender melhor a aula de Jimmy, por ali estava cheio de pôsteres de Banksy. Um mais político e apaixonante que o outro. A menininha segurando um míssel como se fosse um urso de pelúcia, ou aquele que o soldado revista uma menininha de quase 4 anos. E assim vai. Impressionante.
E é impressionante de como Londres é legal, de como é acolhedor com o sol, de como nublado às vezes parece sombrio, às vezes de filme romântico, às vezes de quebradada. É muito doido. Todo mundo. Roles pela East London na Brick Lane onde vive a galera alternativa do cinema. Ali tem a feirinha Sunday Up Market na Old Trumanbrewery que é imperdível. Sentamos num bar/café, todo mundo junto, todo mundo na sua. 4h30 das tarde o sol já se pôs. Por isso a sensação da balada é sempre longa. Olha no relógio e ainda são 7 da noite. Muitas noites terminaram da sala da casa da patty com garrafas de vinho, escutando a mistura do ipod dos três. Muito som novo. E meu deus. É surreal a minha amizade com a Patty. Não tem o que dizer. Mal sabe ela, o quanto me fez bem passar esses três dias ouvindo e lembrando de muitas coisas. Ela me trombou sábado de manhã na estação de trem. Chegou mais tarde porque uma menina tinha se suicidado na frente do metrô. Ela me explica: Acontece isso quase todos os dias! Ai você consegue entender o motivo da nova estação de metrô ser anti-suicídio. Em volta do trilho do trem é inteira de vidro com portas que abrem quando as portas do metrô abrem. Não tem como se jogar e se matar.

E o vento lá fora tava muito gelado. Quase nevou. Quase. Do sábado p/ domingo, de madruga tava menos de zero, mas só choveu lá pelas 7 da manhã e de manhã já estava 1 grau. No rolê pelo centro, voltou o sol e obviamente que esse momento que me deparei com o Tate Modern e a ponte. E o role seguiu por South Bank pela Londoneye e Big Ben. Daí vai West End na Covent Garden, Seven dials, Trafalgar Squase, Soho. E o que é o Soho? Não dá p/ dizer. Comi por ali num restaurante chamado Busalba Eathai. Um tailandês. Nota mil. Tudo isso acompanhada pelo casal mais tranqüilo, engraçado e apaixonados Patty e Jimmy. Tem horas que o papo é em inglês, espanhol ou mesmo português. Umas tirações de sarro em francês e alemão. Feito um p/ outro. É nítido. Deixei Londres correndo, p/ variar. Ela sempre me manda correr. E eu corro, porque normalmente é o que me resta e que sempre me salva. Sai correndo junto com ela pela estação de trêm para não perder o trem e muito menos o vôo. Cheguei em Barca com a sensação de quem chega em casa. Joguei as malas no quarto e desci por ai. Fui dar um role clássico na madruga ouvindo The Clash.





quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Pra onde ele aponta mesmo?


Cada um com a sua teoria. Nos guias turísticos eles afirmam que Colom aponta para as Américas. Perai. Se Cristovão Colombo era italiano, porque tem uma estátua gigante dele em Barcelona? Simples. Só os espanhóis acreditaram nele e investiram nessa viagem. A estátua de Colom fica no Portal de la Pau, o ponto de união entre o sul de las Ramblas e o Passeig de Colom em frente ao Porto Velho.

Voltando. Os trixistas falam que não. Ele não aponta as Américas porque as Américas não estão daquele lado e sim para trás. Mas se Colom apontasse para trás, ele apontaria para as Ramblas, dando as costas para o Mar. Tem gente que fala que ele aponta o caminho da saída do navio para as Américas, outros dizem que ele aponta Gênova, sua cidade natal. E esses dias andando por ai com a Fefe, ela me contou sua outra versão, Colom aponta para a Índia, onde ele realmente queria chegar. E ela me pergunta: Será que todo mundo precisa ir para a Índia para conseguir o que quer? E nesses dias de Índia, descobri que Colom aponta o pôr-do-sol.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A porta aberta e a minha Índia

A única certeza que tenho para dizer hoje é: deixem a porta sempre aberta. Se precisar fechá-la, mantenham então a janela aberta, por mais frio que esteja lá fora. O contato com o universo é essencial. O resto são histórias vividas num outono de 2008.

Enquanto eu admirava a lua crescente no sábado do dia 8 de novembro, ele sentou do meu lado e começou a falar tudo que eu precisava escutar. Eu não sabia quem ele era e muito menos ele sabia quem eu era. Mesmo assim me convenceu a ficar 8 dias sem contato com celular, internet e televisão. 8 dias vividos intensamente, sem pensar em nada que não fosse aqui. Contatos apenas reais, visuais e pessoais. Índia. Ele sabia e eu também. Era preciso lavar a minha alma. E nesses dias apenas 3 coisas podiam me acompanhar durante meus rolês: um caderninho, uma caneta e a uma máquina fotográfica.

Hoje, por incrível que pareça sou outra pessoa depois desses 8 dias, além disso tenho 50 páginas escritas no caderninho e 250 fotos. Momentos para serem guardados. Conheci muita gente, vi Barcelona com outros olhos, respirei outros ares, senti coisas nunca sentidas, corpo e alma no mesmo lugar. Vi a lua cheia mais linda de toda minha vida, um pôr-do sol inesquecível, um passeio de trixi engraçadíssimo, admirei um jazz de frente pra praia, um folk na frente da catedral gótica e três argentinos tocando fudidamente chorinho que depois misturaram com tango. E num simples toque de retiro espiritual, passou. E consegui entender que não é o Raval. É o MACBA mesmo que mexe comigo, que me inspira e que me acolheu diversas noites em Barcelona. É ele. Meu museu predileto. Antes do MAM. Sinto em dizer isso. Mas já é a pura verdade. O MAM já foi minhas tardes acompanhadas de roles pelo Ibira. Já foi minhas manhãs acompanhadas de caminhadas pensativas. Aquela sensação que ainda é de manhã e antes de qualquer movimento brusco, eu tô dando um role pelo parque. No MAM já vi muitos filmes, muitas exposições, muitas palestras, muitas descobertas, já me assustei, já me apaixonei por algum quadro e já quis abraçá-lo.

Picasso tomava breja ali do lado. Num pico bem louco, ali no Gótico, perto da Catedral. Uma rua de pouca luz, arquitetura medieval, um ar totalmente gótico. Na mesma época do Guadí, do Miró e do Salvador Dalí. Vixe! Muita loucura junta. Bogatell, Arco do Triunfo, Barceloneta, Porto Olímpico, Gótico, Born, Raval, Santa Maria Del Mar, Base dos Trixistas, Porto Velho, Rambla, Passeig de Grácia, Portal de Angel, Praça do Sol, Gracia, Praça da Revolução, Jaime I, Via Laetana, escadarias do Correio, Passeig de Colom, Montjuic, Plaza España, Arena, as fontes, cidade olímpica, Pálcio de Montjuic, Castelo de Montjuic, Park Guell, La Pedrera, Fórum, Nova Içaria, Sagrada Família, Parc Ciutadella, Casa Batló, Palau da Música Catalana, Palau Guell, Labirinto, Mercat Sant Antoni, Rambla do Raval, Diagonal, Maria Cubi, Underground, Pachá, Bikini, Opium Mar, Shoko, Otto, Universal, Moog, Sant Juan, City Hall, Be Cool, Camp Noiu, Catedral Gótica, Sarriá, Mar Bella, Champegneria, Roxy, Peixe Dourado. Barcelona: Única.

Mas não se esqueçam da única certeza disso tudo: deixem a porta sempre aberta. Se precisar fechá-la, mantenham então a janela aberta, por mais frio que esteja lá fora. O contato com o universo é essencial.

domingo, 9 de novembro de 2008

Fui pra Índia

Numa noite em que a lua está amarelada e enorme, numa noite em que o céu borbulha estrelas, numa noite de encontros e desencontros, alguém te convence!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Meu PUB de Barcelona

Todos o chamam de Dry. É esse o verdadeiro nome e sentido. Vai lá, pega a bebida e sai fora. Mas para mim o Dry é chamado carinhosamente de PUB. Quase todas as noites a cena se repete. Puxo o mesmo banco e sento quase no mesmo lugar na barra. A bebida não muda, sempre dourada. O copo quase cheio e sempre vazio sobe e desce quase na mesma velocidade. Às vezes acaba o gelo, às vezes sobra. Tem noites em que estou de costas para barra, tem noites que passam diante de conversas com os garçons. Tem horas que estou sozinha e tem horas que está todo mundo reunido. A iluminação amarelada e esverdeada me conforta e me acolhe. Em plena barra já escutei muitas histórias, já chorei de rir, já tive sono e dormi, já falei muita merda, já não bebi, já contei de um amor, já ouvi, já disse muitos nãos, disse alguns talvez, já pedi conselhos, já mandei tudo para puta que pariu e já disse uma única vez sim. É mais ou menos assim, às vezes estou porque quero, às vezes por obrigação, às vezes é estar por estar e agora porque sei que vou sentir saudade.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Pasa, pasa, pasa...

3 de novembro. Um dos dias mais estranho que já vivi. Entre palavras jogadas no ar, sentimentos multiplicados, sorrisos e choros. Bate tudo no liquidificador. E depois experimente. Me afasto. De todos. Hoje não é um dia de conversas. Não estou pronta para ouvir. “Todo es mentira en este mundo”. Não atende, não escute, não acredite, não escreva, não pense. “I say no, no, no, no”. Beba e dance. Confesso. A melhor droga para mim é o eletrônico. Você sente, reflete, pensa e esquece. Num dia só, apertei o stop para isso, aquilo e isso daqui. O play para isto daqui, isso ali e mais isso. E o pause para isto. Rebobinar só mesmo na mente. E diante de tantos botões, só pode vir a explosão. As certezas que estavam comigo voaram. Confiança. De quem mesmo? “A veces la vida es una pizarra mal escrita”. 27 dias que me restam. Estou chegando para mudar a vida de quem quiser.

Numa praça às duas da manhã atrás de cometas en cielo, ele me fala:

- Mariiiiiiiii você está voando. E quando você voa já não existe mais o contato com aqueles que apenas caminham. Você não vê? Quando você voa mari, você só pode encontrar um pássaro, porque só ele voará contigo.

Você precisa de conselhos para viver??? Então anota ai: “Conselho é uma forma de nostalgia. Dar conselho é uma forma de resgatar o passado da lata de lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclá-lo por preço maior do que realmente vale.”

E a pergunta que não quer calar é:

Quem foi que falou??? Quem foi que pediu olhando para o céu de Barcelona naquela tarde na pracinha? O meu EU? O meu coração? A minha consciência? E o dia que eu conseguir responder isso, terei certeza que o ciclo da evolução temporária que vim buscar, será fechado.

A outra droga é o espelho da balada. Às vezes sumo da pista e corro até o banheiro. E lá fico. Olhando no olho. São duas. Eu e meu reflexo. E te juro por tudo que é mais sagrado, elas trocam idéia.

O fato é que se existem pessoas que me chamam de estrela, há uma coincidência aqui. Estrela chama estrela. E se você tem uma estrela tatuada no seu cotovelo, o que isso realmente quer dizer?

Quando a galera daqui pergunta da minha religião, respondo: a minha. E qual é a sua religião? Respondo: Faço somente aquilo com os outros, o que eu gostaria que fizessem comigo. “Tudo vai e volta”

Desconecte-se. Viver fuçando a vida dos outros em orkut é perda de tempo, de vida. A realidade ainda não é virtual.

"Para verme mejor cierra los ojos

Para encontrarme mejor perderme

Para tenerme cerca suelta la cuerda

Que yo estoy aquí como está la niebla"

sábado, 1 de novembro de 2008

La hora de las brujas

Numa noite gelada típica de um outono europeu, as bruxas estavam soltas. Voavam pelo céu escuro, nublado e depois pousavam em qualquer rua sem nenhuma permissão. Enquanto eu andava no escuro ao redor da Catedral Gótica, lembrei do que tinha esquecido. Barcelona é linda de dia, de noite, na primavera, no verão e principalmente no outono. Como pude esquecer? Ainda bem que acordei, porque só tenho um mês de férias e que bom saber que vou passar aqui. (sempre). 31 de outubro ficará gravado. A mais sábia atitude que já tomei. E quando você toma de verdade, as bruxas te seguem, voando em suas vassouras, e quando você menos espera, elas te presenteiam: trick or treat?? Todo mundo viu. Ganhei os dois.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Veeeeeeeeeeeeeeeeeeem

Não leia este blog, se você não quer sofrer. Já não devo mais nada. O mundo dá voltas. E ai pergunto se ele der mais uma, você suportaria? Não quero nem saber, eu levanto, me firmo, ai me passam a rasteira. Mas levanto de novo doido, aqui é mistura de sangue espanhol com italiano. O mesmo que fundou o Corinthians. Haja força. Mas dessa vez logo aviso, não tem capa e nem toro. Eu estou é com espada e escudo. De batalha em batalha, ganhamos a guerra e quero ver quem me derruba agora.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

La SaLa RoJa

A pista vazia. As luzes e as paredes vermelhas. O som a base de Fela Kuti. O DJ tocava só pra mim. E meu corpo refletia o som que entrava em meus ouvidos. Fazia tempo que precisava escutar um som assim. Na barra quatro chupitos de tequila. Na boca o sabor do limao. Na mente um texto pronto. O corpo mexia-se. O som tocava. O DJ entendia. Os olhos fechados. Um sorriso estampado. Antonio bebado no sofá vermelho. Convido. Antonio nao se mexe. Grito: Ou voce se levanta ou te aviso que meus dias estao acabando. Ele rapidamente começa a dançar. Pausa. Antonio é um dos meus melhores amigos daqui. Sábio, sincero, boca aberta, amigo, gay, brasileiro, trabalhador e festeiro. Dança como só ele. E a pista já está pequena. As pessoas dançam como se fosse o último dia. De Michael Jackson a Prince. A pista bomba. Um ar de madureira invade, convida e provoca. Encontros e desencontros. Barcelona é pequena. A imagem registrada é vermelha. Um copo amarelo e o outro incolor. Isso significa que eu e Keke estamos bebendo. O calor dentro. O frio fora. Sexta-feira. Toda sexta-feira é noite de sala roja.

Saudade Esquecida

Em dias nublados a gente espera um vento forte, para que passe, para que leve e para que clareie o dia e a minha mente que borbulha interrogações. Depois do vento forte, eu sei, serão apenas exclamações. Enquanto isso num frio gelado europeu, eles aparecem virtualmente com palavras surpreendedoras. Cada um numa vibe, num momento. Já parei de julgar. Cada um é cada um e ponto. Eu amo vocês absurdamente. E a saudade de vocês se misturou rapidamente com a minha saudade e foi tenso. E não há mais nada que possa escrever, quando eu já escrevi tudo há 6 anos atrás:

Eu tinha saudade.
Eu tinha saudade,
E não sabia.

Era isso o que me consumia.
Eu simplesmente não sabia,
O que me faltava era tão pouco.
Bastava apenas estar do lado,
Dizer algumas coisas,
Escutar algumas outras,
E sorrir do jeito que só nós sorrimos.

Eu tinha saudade.
Isso eu deveria saber.
Que era só a saudade,
Só a saudade que me faltava.

Só a saudade que me traz um bem,
A saudade que quero viver quase todos os dias.
A saudade que queria que muita gente conhecesse
E ao mesmo tempo, ninguém...
Basta nós!
Basta nós,
Nós que tínhamos saudade,
Saudade esquecida,
Saudade enriquecida.

Eu tenho saudade,
E gosto de té-la.
Agora eu sei,
Sei que não me falta,
Mas me falta de vez em quando.

Mari 09/06/02

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O senhor e a Guerra Civil Espanhola

O relógio marca dez horas da manhã. Ele está sentado num banquinho de uma praça. Parece até que espera ansioso alguém chegar. O senhor está com uma calça cinza, uma camisa azul bebê, um colete de lã bege por cima e uma boina xadrez. Com uma aparência de 87 anos, ele segura um jornal com uma mão e com a outra a sua bengala. O seu olhar só se desvia do jornal quando ela se aproxima. Ele sorri tranquilamente. Ela com aparência de 84 anos senta cuidadosamente ao seu lado e começam a conversar, entre tosses e risadas. Depois de vinte e cinco minutos, ela se levanta cuidadosamente, se despede e caminha uns 30 passos pequenos até a porta da sua casa, exatamente atrás do banquinho que estou sentada. Ele ainda a olha com um sorriso. São amigos, ou paixão nunca vivida. Ele volta a ler o jornal. Página por página. Quando termina, sou eu quem está sentada ao seu lado. Ele me olha com cara de espanto.

- Você é aquele menina jovem que estava sentada naquele banco! Fala ele apontando para frente.
- Sim, sou eu.
Ele olha para o banco vazio, arruma a boina e deixa o jornal de lado.
- Você tem cara de italiana!
- Haha! Que raro! Minha mãe é italiana!
- Acertei! diz ele com um sorriso de avó.
- Não. Eu sou brasileira! Minha mãe é italiana e meu pai espanhol.
- Teu pai é espanhol????
- Sim, de Zaragoza!
- Ah, ele é maño.
- Si!
- Os maños são assim: pessoas muito boas, mas tem uma cabeça turrona!
- É, eu sei.
- Você mora com seus pais?
- No Brasil sim, aqui não. Moro sozinha.
- E o que você faz em Barcelona?
- Vim dar um tempo, pensar na minha vida.
- E já pensou?
- Demais.
- O tempo que mais pensei na minha vida foi na guerra civil espanhola. Tinha 17 anos. Você sabia que aqui foi a primeira cidade espanhola atingida pelas bombas?
- Sei, tem até as marcas das bombas numa igreja perto de uma antiga escola, não?
- Isso! Lá foram as primeiras bombas. Eu morava ali do lado. Minha mãe estava comigo e com meus 2 irmãos mais novos. Aquele dia, meu pai que era republicano, acordou cedo e disse a minha mãe que maus ventos estavam chegando. E por isso pediu a minha mãe que ninguém fosse para escola naquele dia. Saiu de casa para ir até a casa do tio Jordi, que tinha um rádio e todo os amigos do meu pai e do meu tio, que eram também republicanos iam todos os dias lá para escutar as notícias. Foi bem nesse tempo, que os aviões começaram a soltar as bombas. A minha mãe já estava preparada com todos os colchões de nossas camas ali bem perto de nós na sala. Quando escutamos a primeira bomba, mamãe nos colocou embaixo de 4 colchões. Assim, se a parede caísse, não nos machucaria.
- A minha avó também fez isso!!!!!! A minha tia já me contou isso várias vezes.
- Mas em Zaragoza?
- Não sei direito. Porque meu pai morou aqui dois antes de ir para o Brasil. Se bem que meu pai não era nascido na guerra. Deve ter sido em Zaragoza.
- Você consegue imaginar isso daqui há tempos atrás cheio de gente se matando?
- Não. Deve ter sido muito triste.
- E foi. Porque a Espanha foi um palco da guerra. Porque Franco pediu ajuda para Alemanha e para Itália. E os republicanos aos russos. Imagina a baderna que virou a Espanha. Todo mundo aqui lutando. Muita gente morreu, mais de 1 milhão de pessoas!!! E dentro delas, meus dois melhores amigos.
- ahhhhhhhhh
- É nena, não precisa chorar e nem ficar triste. Já passou.
- Desculpe. Não me contive. É que imaginei eu perdendo meus dois melhores amigos numa guerra aos 18 anos. Acho que eu teria morrido junto.
- Você não morreria!
- Acho que sim!!!
- Não nena. Você faria como eu. Lutaria por eles. Lutaria para um país melhor. Lutaria para acabar com a vida daqueles hijos de puta malditos!
- E seus pais e seus irmãos?
- A minha família ficou bem. Passamos fome, ficamos pobres. Não podíamos nem falar catalão na rua. Sabia disso?
- Sabia! Eu admiro os catalaes por isso. Vocês passaram por tempos muito tristes e resistiram!
- Claro! Hay que luchar siempre! Até agora eu luto com essa bengala maldita.
- hahahahahaa
- Você ri né? Sinto saudade de andar por ai só com minhas pernas. E agora isso. O mundo de novo em crise. Onde vamos parar?
- Eu é que te pergunto!
- Eu já não sei mais nada. As pessoas todas estão loucas. Olha o cabelo dessa nova geração!!!
- É um pouco moderno demais. Falo eu
- Moderno? Isso é ridículo!!!
- hahahaha

Ele se levanta e se despede. Beija minha mão. Diz que tenho a idade de sua neta. Vai andando tortamente com sua bengala em direção a calle Diputacio. E eu fico olhando para os prédios, pensando que não deve existir coisa pior do que passar por uma guerra, mas que às vezes, depois que ela passa, coisas boas surgem. Há diferenças entre um povo que passou por uma guerra daquele que nunca imaginou que possa ter existido uma. E isso você só percebe quando vive num país pós-guerra.

Mude-se

2008 o ano do rato, o ano de mudanças. Hoje entendi. O ano foi tão forte que embaralhou a mente até de uma formiga. Todo mundo mudou. Até o mundo, que aos poucos vai caindo conforme a economia que gira, que não gira, que se explode em qualquer esquina.

Um ano de esperanças, de casamentos, de filhos nascendo, de encontros desencontrados. Parece até que perdemos a hora. Está tudo de ponta cabeça e são poucos que plantam bananeira e caminham pelas ruas que estão sem semáforos. Sinalizar o que? Se já estamos sem ordens, sem sinais e sem direção. O ano que apontava soluções, cordões e mudanças para uma vida melhor, surpreendeu a todos. Quem disse que esse era o recado? Quem disse que passar por mudanças é fácil e leve? A cada mudança um coração partido, um bolso sem dinheiro, uma cerveja pela metade abandonada numa barra qualquer de um bar.

Se Einstein estivesse vivo nos diria que até o Universo mudou, que as estrelas moveram-se de lugar, por mais que estejam mortas. A lua, podem observar, fica no máximo fica 2 dias cheia. E entre tantas pessoas indo e vindo, e entre tantas bolsas subindo e caindo e entre tantas tentativas de registrar o momento numa câmera, eu posso dizer que mudanças são sempre bem-vindas. E que 2009 seja o ano de concretizações de boas idéias, porque ai só faltarão 3 anos para a limpeza total do universo, o calendário Maia.

Aviso aos navegantes desse mundo...

Existia dentro de mim duas Mari. A Mari que diz não e a Mari que diz sim. A mari que diz não cresceu comigo, perdeu muitas coisas por ser radical, mas é forte e tem um orgulho maior que minha alma. A Mari que diz sim nasceu aqui em Barcelona, ela é mais fraca, mais sentimental e muito mais na paz. Hoje numa conversa com um sábio Pai, eu assassinei a Mari que diz sim. E a única coisa que tenho para dizer é ME CAGO EM TUS MUERTOS. E cuidado, nunca diga isso a um gitano!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Desabafo, anjo e el niño de pijamas

Num dia em que muita gente te pede conselho, eu dou conselho para aquele que não quer ouvir. Na verdade não é conselho, é história. História que passou, que marcou e que machucou. A raiva só passou depois de 3 meses rezando quase todos os dias em desespero. Não é bom sentir raiva de alguém, bom mesmo é desejar sorte e sentir-se leve. Mas hoje, a casa caiu. Não para mim. Mas para alguém que devo. O anjo. O anjo que se abasteceu de raiva e de querer retribuir o que não se deve retribuir. Sacudo. Hoje é ele que precisa ser sacudido, não eu. Sacudo e imploro: me escuta!!! Sei que tenho menos 20 anos que você, mais isso aconteceu comigo. E vocês só vão se machucar, sociedade é assim. Se ele te cutuca, você sai por cima. Essa é a regra, por mais que seja difícil. Mas mesmo assim, ele não me escuta e vejo o anjo quase caindo no chão, sem asas para voar. A última tentativa: Já viu o filme El Niño de Pijamas con Rayas? Então, você não precisa fazer nada. A vida já faz. E ponto. Mas o anjo está cego, assim como eu estava. E isso me parte o coração. Sabe por quê? Porque ainda lembro da última ligação que recebi antes de pegar o avião pra cá. Seja humilde, dizia ela, seja humilde. Ela já tinha me ensinado isso, além de milhares de outras coisas que já me ensinou na vida. Mas essa frase entrou dentro do meu corpo e fez-se do meu corpo e da minha mente. Seja simplesmente humilde....E foi a humildade que lhe faltaram....

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

"Cantamos lo que somos y lo que se ha cantado, se ha dejado"

1,2,3 gravando!! A cada passo que dou pela rua, uma palma de flamenco, marca e soa o meu passo. Mas ai o jazz se mistura suavemente com o flamenco. E ai eu tenho certeza: estou numa película. De fato, só eu existo. Todas as outras pessoas são obviamente personagens da película. E com uma trilha sonora fatal. Tem horas que é hardcore, tem horas que é o reggae mais puro, tem horas que é jazz, é rap, é samba de raiz, é rock. Cada tempo tem sua trilha sonora. E a cada trilha sonora, uma sintonia com o andar das pessoas, dos carros, do vôo dos pássaros. Tudo anda e está conforme a trilha sonora. Até mesmo a expressão do meu rosto.

Quando eu estou conversando com você, eu estou de fato te provocando. Quando eu escrevo, eu te provoco. Quando eu bebo uma cerveja com você, eu estou te provocando. Quando te olho, eu simplesmente te provoco. Quando eu corro, quando te beijo, quando te abraço, quando eu danço, quando eu choro, quando eu sorrio, eu te provoco. E a música quando soa em meus ouvidos, é ela que me provoca. Deu para entender? É mais simples do que parece. Corta!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

De Barcelona à Jeri


O gosto amargo em minha boca e o medo que existe dentro de mim me faz correr até a praia. Assim numa tarde de uma terça-feira, numa praia vazia com um céu azul sem nenhuma nuvem e uma temperatura de 24 graus. Bocadillo e uma cerveja. Precisa de mais alguma coisa? Bem ali do lado um casal que admiro: Tati e Marcelo. O mar sem nenhuma onda, mas repleto de alunos de windsurf. Às vezes isso daqui me lembra Jeri...

domingo, 19 de outubro de 2008

O mundo infinito

A janela do quarto está aberta como todos os dias. Não importa se está calor ou frio, ela sempre está aberta. Através dela escuto quase tudo o que acontece no prédio. Quem está sofrendo subindo as escadas, quem está cozinhando e até quem está no msn. Mas hoje a janela me traz jazz. Um puro e suave jazz. Gracias vecino. O jazz entra no meu quarto enquanto uma frase martela a minha cabeça: Una pizarra mal escrita. Esse é o tema do meu primeiro relato em espanhol.

Sentada numa cadeira em volta de 15 pessoas, sou a mais nova e a única de fora da Espanha. Todos se apresentam e confessam que não conseguem terminar um conto, uma história. Querem saber porque um livro é tão bom e outro tão é chato. Eles têm tantas perguntas, que me assusto. Eles me olham... e eu não tenho perguntas, só tenho mesmo é falta de inspiração para meu livro.

Por que escrevemos? Foi a primeira pergunta que ele fez. E enquanto todos iam dizendo tudo que vinha na cabeça, eu fiquei minutos pensando. E eu só tinha uma resposta: Porque necessito! Porque necessito desabafar!! Mas a resposta correta não é essa. Escrevemos porque temos algo a dizer para alguém (leitor). Isso me fez lembrar da minha primeira aula de jornalismo. E isso me irritou. Maldito ciclo. Mas ai, ele me acordou: A literatura é um mundo infinito. Puta que pariu, a literatura é um mundo infinito na qual você caminha sem percepção de encontrar uma saída. Depois dessa conclusão, dei um passo à frente e falei para mim mesma: Bem-vinda ao mundo infinito Mari!

A literatura se divide em duas partes: superficial e profunda. Nunca tinha parado para pensar nisso e muito menos antes de começar a escrever. Sim, porque se você tem na cabeça a superficial e a profunda antes de escrever, você tem o que você quiser, um relato, uma poesia, uma narrativa, uma criativa, um romance, uma análise até. Foi aí que olhei para frente e vi o menino Lucas e o Urso me olhando. Eu sabia o que eles faziam ali. Eles queriam saber se eu tinha a superficial e a profunda. Tive vergonha. Desviei o olhar e comecei a pensar. Estou escrevendo um livro infantil. Meus personagens têm tanta vida que os vejo às vezes andando comigo por Barcelona. Pode ser um papo de louca, mas se um dia você criou personagens, garanto, eles tem mais vida que você possa imaginar. Eu tenho personagens vivos e nunca me preocupei com a superficial e a profunda. Analisei durante um tempo e olhei para eles novamente e só pude dizer: UFA! E eles sentados no chão no meio da sala se abraçaram e deitaram. Estavam mais aliviados que eu. Sem saber, eu tinha e tenho a superficial e a profunda! Olhei de novo para os dois, estavam ali no chão trocando altas idéias. Pedi para que saíssem. Sim, sou ciumenta. Não quero que ninguém dali conheça os dois assim tão rápido. Eles saem tristes. Volto a prestar a atenção na aula. As comparações já passaram por Cem Anos de Solidão e por incrível que pareça os contos infantis estavam por ali, agora falávamos do Patinho Feio e da Chapeuzinho Vermelho.

Fim. Saio de lá e vou direto na Casa Portuguesa. Algo me diz que os dois estavam lá. Dito e feito. Seca para comer um Pastel de Belém, o menino Lucas me avisa que não tem mais nenhum dos 30 pasteis de Belém, porque estão todos no estômago do Urso. Acho que é só nessas horas que você tem vontade de que seus personagens não sejam tão vivos assim....

sábado, 18 de outubro de 2008

Quinta visita

Quem mora fora sabe: não existem palavras que possam transmitir o sentimento de rever amigos na nossa atual cidade. Uma mistura de saudosismo com nacionalismo do novo país. E quando você tem um casal de amigos que só sabem transmitir paz, é paz que você tem. E assim foi, de bar em bar, de bairro em bairro, tudo a pé. Começamos no Raval e paramos no Gótico e depois de não sei quantas margueritas blue, uma caminhada pelo Passeig de Colom na alta madrugada! E pra variar, eu já estou com saudades!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Recado está dado...



Elizeth Cardoso espanhola...

No a los 1.680 despidos en Nissan, sí a un plan industrial

Acordo com gritos, buzinas e um barulho de helicóptero. Quinta-feira, 16 de outubro, às 11 da manha. Resolvo descer. 400 pessoas estao na frente de uma loja da Nissan na rua Paris. 400 pessoas gritando, jogando ovo, tomate e farinha na vitrine da loja. Motivo? A demissao de 1680 trabalhadores. A crise mostra seu poder a cada dia que passa, mas os espanhois também mostram força. Entre homens e mulheres todos carregam no peito: No a los 1.680 despidos en Nissan. Eles estao rodeados de milhares de jornalistas, de policiais e de lixeiros. Todos assistem a manifestaçao. Se é ovo que querem atirar no vidro, atirem. Se é tomate, atirem. Ninguém joga pedra, ninguém quer quebrar a vitrine, só querem mostrar que tem gente que quer trabalhar. Fim da manifestaçao, a hora agora é da BCNeta (pessoal da limpeza das ruas) recolher os tomates e os milhares de papeis do chao.

Nissan ha producido en España en los últimos tres años 622.000 vehículos en España.
Nissan ha ganado en los últimos 3 años 227 millones de euros en sus operaciones en España.
En los últimos cuatro años Nissan ha presentado tres expedientes de despidos en Barcelona, uno de 800 personas, otro de 450 y actualmente ha presentado uno de 1680 personas.
Con el dinero de los consumidores españoles, Nissan pretende dejar sin trabajo a 1680 familias y miles de trabajadores de las empresas proveedoraas.
Exige con nosotros que retire los despidos antes de darles tu dinero comprando un coche. Debemos inyectar a la multinacional la responsabilidad social que debe con su entorno social.

Quase no mesmo horário, na Plaza Catalunya tinham 1500 pessoas reunidas para começar la marcha en la calle: 'No a los 1.680 despidos en Nissan, sí a un plan industrial'

domingo, 12 de outubro de 2008

O tempo escorre pelas minhas mãos

Quando você aperta o pause engana-se que ele não tem tempo determinado. E foi você mesmo que o determinou. Escolhas e decisões tomadas que o tempo leva junto com o seu decorrer sem você perceber. É tempo que você quer e um dia o tempo acaba. Assim como acaba uma vida, um sonho, uma idéia. Mas a saudade e a lembrança permanecem...em algum lugar da sua mente. Não há como apagar, nem mesmo em brilho eterno de uma mente sem lembranças. Só se for temporário, mas depois volta...tudo volta.

O tempo escorre pelas minhas mãos. É hora de apertar o play novamente, mesmo que tudo ainda não esteja concluído. A vida é assim. Lugares que poderiam ser do presente, se tornam futuro, porque afinal não dá para fazer tudo num tempo determinado, é melhor às vezes deixar para frente. Assim, Egito e Índia novamente serão futuro.

Mas existem lugares que você necessita que seja simplesmente o teu presente, assim como Londres, Figueires, Madrid, Sul da Espanha, Sul da França, Sala Apolo, Razzmatazz, Otto, Roxy e o Labirinto. Talvez mais alguns por ai, que agora já não consigo lembrar.

Quando você pensa na tecla stop dá vontade de sair correndo atrás de uma pipa que ainda voa pelo céu, mas que daqui alguns minutos vai cair no chão. Depois do pause, o stop e depois, o play e assim por diante. Só não vale rebobinar. Porque simplesmente já foi.

Ah, e para aqueles que me julgaram quando apertei o pause, só posso dizer que precisa ter muita coragem de apertar, de seguir e de não se perder. É necessário saber a hora que deve-se voltar. É, não é para qualquer um, mas mesmo assim é o único conselho que posso dar. Apertem o pause, é necessário.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Quando você abre a porta...

É fato. O sol muda o meu dia. E quando acordei, senti uma leve necessidade de pegar um trem. Fui aqui do lado, numa cidadizinha encostada a Barcelona. Parecia a Holanda. Até que dei de cara com uma placa: Bem-vindo a cidade do nunca! Não precisei de fato decidir, a placa já tinha me convencido a entrar. Rodeada de árvores, banquinhos de madeira, senti saudade. Tentei cosmicamente sentir vocês dois do meu lado, mas não consegui. Três pessoas distanciadas por um risco. Mas isso nunca foi problema. Porque quando a gente abre a porta do universo, a gente se tromba diante de tantos planetas. E foi aí que ele apareceu. Nosso mestre. Ele estava velho demais, com cabelos brancos e a camisa meia aberta, suja de tanta terra. Eu o olhava e ele me olhava. Queria dizer tanta coisa, que me calei. Eu prefiro ouvir. Mas ele também não falou nada. Apenas sentou ao meu lado e ficou admirando os pinheiros repletos de pinhas. O meu coração estava acelerado... e acho que ele percebeu, colocou levemente suas mãos em meu ombro, deu três tapinhas e falou:

- Declame!

E eu comecei bem devagar a declamar aquilo que conseguia lembrar:

- Bom, bom, bom!! Esse é o barulho inicial e continuo da Pós-Modernidade.

Olhei para ele e falei baixinho: - Eu disse Pós-Modernidade, a quebra de todos os conceitos da modernidade, arte que revolucionou a realidade.

Ele sorriu e completou: - Xiuuuuuu! Agora homens e mulheres estão trancados em seus apartamentos. Assistem a realidade pela televisão ou Internet!

Olhei para o céu e gritei: - Estão todos conectados na atualidade, porém estão trancados em suas jaulas!!!

E ele gritou mais alto: - Individualismo!!!

Eu justifiquei: - Isto é conseqüência do rompimento e do esquecimento de conceitos revolucionários.

E ele concluiu devagarzinho: - Porém somos mais que Pós-Modernos. (Espero eu)Porque somos Uni. Porque somos Versos. Porque pertencemos ao Universo.

Eu apenas sorri e disse: - Seremos causa para depois sermos efeitos. Misturam-se as realidades. E Einstein mostrou a Teoria da Relatividade.

Ele tossiu. Já está velho demais e mesmo assim falou a mesma frase que já afirmou mais de 300 mil vezes: - Dependemos de algo para sermos o que somos.
Fiquei em silêncio. A teoria da relatividade é bem mais que números. Pena que não são todas as pessoas que conseguem entender isso.

Mais um tapinha nas costas.

- Porém a Pós-Modernidade apaga isto de nossas mentes! Aqui, agora dependemos de dinheiro e tecnologia para sermos cidadãos pertencentes à sociedade. Pós-Modernidade. O Moderno só nos traz conforto. Nos traz o aborto. O aborto de nossas vidas.

Abri os olhos aliviada. Fazia tempo que não tinha conversas sobre o universo com as pessoas. Quando fui agradecer, ele já não estava mais lá. Olhei para o céu, já estava de noite e vi como de costume, as estrelas moverem-se de lugar e isso só acontece, quando nós nos encontramos perdidamente entre o universo. E ai, eu simplesmente só fechei a porta.

Tentei tirar fotos da cidade do nunca, mas a bateria da máquina acabou bem ali. E foi ai que entendi.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Apresento à vocês El Raval

Numa tarde de domingo, resolvi registrar algumas imagens do Raval. Um bairro que no século XIV não fazia parte de Barcelona, pois estava depois das muralhas. Durante muito tempo foi conhecido como o bairro chinês. Passou por um processo de renovação. Graças ao MACBA e o prédio de Geografia e História da Universitat de Barcelona, o Raval tem novos ares. Apesar de ainda ser conhecido como um bairro perigoso, sujo, feio, com ruas cheirando a xixi e um local dos marroquinos e paquistaneses, o Raval tem duas caras para mim. O Raval de dia e o Raval de noite. Quando o Sol dá as caras, o bairro fica charmoso, aconhegante, cheio de restaurantizinhos lindinhos espanhalhados nas ruazinhas estreitas. A noite quando as lojas estão com as portas fechadas é a hora de admirar os grafittes, de desviar dos marroquinos e dos paquistaneses vendendo cerveja, das manobras radicais dos skatistas em frente ao MACBA e a cada rua cruzada, uma descoberta de bares alternativos sempre escondidos. Se você quiser comer um bom kebab, não tenha dúvidas, vá para a Rambla do Raval.


MACBA






A Rambla do Raval...

cheia de árvoves

O gato chinês

O melhor lugar para comer um kebab



A Universitat de Barcelona
A Plaza da Universitat

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Flutue e seja bem-vindo...

O despertador toca. Acordaaa! Logo aviso, eu não escrevo para todo mundo. Escrevo só para aqueles que necessitam ler isto. E tenho muito a dizer. Pela primeira vez na minha vida eu não odeio o meu chefe. Eu amo. Extremos diriam alguns. Outros diriam que seria evolução. Eu diria duas coisas: libriano e santista roxo. Isso lembra um pouco meu pai. Hoje foi sua festa e minha última comemoração dos meus 26 anos. Fechei eu com chave de ouro. Fazia tempo que não escutava um eletrônico bom, desses de flutuar. Sim, depois de cinco meses, flutuo de maneira leve, às vezes levo as mãos com um leve movimento de flamenco. Quando você mistura, você começa a abrir a mente para outras coisas. Faz tempo que converso sobre política internacional e não mais nacional. Faz tempo que bato no peito com orgulho de ser brasileira e rebato aos gringos que Amazônia é muito pouco para saber do Brasil. Espanhóis vão até a América Latina e depois dizem que é legal. Engulo para não brigar. A vontade é: Ah vc achou legal como ficou depois que vocês massacraram o povo de lá? Outro dia um deles me falou: Os índios têm uma vida de puta madre. Eu só olho para o teto e pergunto por que tenho que escutar isso?? E escuto: é evolução mari! É evolução. A gente precisa entender as mentes dos outros. A gente precisa aprender a escutar. Não adianta discutir. Lembre-se: às vezes o melhor é escutar. E tem horas que é melhor explicar.

Hoje na balada do chefe, o cara no palco pergunta tem brasileiro ai? Eu grito: sim, tem Corinthians!!! Ele ri e fala: em todas as partes do mundo. Sim, Corinthians é foda. Mas tenho que admitir que trai o timão. Depois de 25 anos vestindo a camisa do Corinthians e da seleção Brasileira, vesti a do Barça. Estranho. Mas é impressionante como o time mudou depois da troca do técnico.

Às vezes você não quer sair, mas ai te invitam a uma copa, ou a várias. Hoje foi assim: copas e copas. Morri na pista. Dancei, dancei, dancei acompanhada da Keke, do Joselito, do Txiste, da Tati, do Marcelo, da Déia, da Érika e do Toh. Érika é uma garotinha carioca, flamenguista que adoro. Ela olha para mim e repete toda vez: Aqui é parceria. Flamengo com Corinthians, São Paulo e Rio. O Toh já é daqueles irmãozinhos que a gente adota por ai. Menininho, jogador de futebol, mulherengo e já um pouco evoluído. Já passou por muitas durante seus 3 anos fora do país. Joselito e Txiste são companhias para dançar até morrer. Um de Mallorca e namorado da Kele, outro de Pamplona com veia do País Vasco, talvez um dos caras mais doidos que já conheci na minha vida. Os dois são trixistas. É estranho, ou, já é normal fazer umas baladas dessas em plena segunda-feira. Barcelona é assim, todo dia é dia de festa. Basta você querer acordar ou dormir. Você escolhe sempre. Ninguém decide por você. A sensação de liberdade é absurda. Volto a pé para casa à cinco da manhã de boa. Sem olhar para trás., porque simplesmente nada acontece.

Sento no banquinho. Meu coração pulsa. Só por uma razão: Me sinto calatã. Perdoname Brasil. Sou brasileira até morrer, mas esse povo só me faz apaixonar. Para aqueles que falam mal.... falta um pouco de evolução. Eu vim em busca disso e sinto que cada dia que passa, estou mais perto de agarrá-la definitivamente. Mercy. Mercy.

É melhor pular e sair descabelada da balada... porque diria eu que quem dança, seus males espantam.

Porque no final de tudo, quando você tira o pré da frente do conceito, você entende o que é evolução.
O despertador toca novamente, mas dessa vez prefiro dormir...

sábado, 4 de outubro de 2008

Tim tim um brinde pra mim

Desde quando eu nasci, escutei minha mãe dizer que todo dia 3 de outubro chove. Eu passei 25 anos na minha vida confirmado isso no Brasil.. Mas aqui em Barcelona eu nem lembrei disso....até quando deu duas da manhã e choveu, de leve, mas choveu. 26 anos. Não sei por que, mas estou me sentindo totalmente uma mulher. Raro dizer isso, porque quem me conhece sabe que sou a menina mari. A que pula, que dança, que é viciada em desenho animado, a que sempre teve certeza que ainda tinha seus 19 anos. Hoje me olho no espelho e me vejo mulher. Talvez porque quando eu olho para o passado, vejo que sempre que abri minhas asas para voar, voei. Aquela que depois de ficar horas e horas tentando decidir, quando decide, se joga de cabeça, mesmo quando bate o medo. Atitudes que me fizeram crescer, evoluir e me tornar sempre uma pessoa melhor. Estranho depois de 10 anos comemorando meu aniversário em bares repleto de amigos, festejar com poucos. Não quis organizar nada, quis apenas ir andando, vivendo o que Barcelona estava disposta a me dar. O melhor presente é quando ele vem de família. Falo da minha família daqui. A Tati (mãe), Marcelo (pai), Beto (chefe) me levaram para comer num restaurante do século XI. Pasmem. Sentada na mesa de uma antiga construção de defesa de possíveis ataques feudais nos anos 1000, fazendo meu próprio pão com tomate, saboreie um arroz negro com sepias e gambas, regado a um delicíoso vinho tinto. E para finalizar crema a catalana com café solo. Um jantar que jamais vou me esquecer, obrigada, obrigada e obrigada. Jantares com a família enriquecem a vida. Saudade dos almoços de domingo. Depois que minha mãe me contou que meu pai quando pequeno morou com meus avós e com seus irmãos durante dois anos em Barcelona, comecei a entender algumas coisas. A primeira porque me dou tão bem com essa cidade, a segunda porque amo tanto esse povo que transborda personalidade e a terceira porque tanto me inspira.

A última balada dos meus 25 anos foi ao som de hip hop, regada a vodka e cava que se resultou num book de fotos. Família Bikini reunida. E meu último dia foi ao encontro do encontro. O bairro de Grácia com certeza aparecerá aqui quase na mesma intensidade que o Raval. É nele que está a minha escola. Um cantinho de escritores repleto de livros. Sai de lá com a certeza que o menino Lucas viverá em outros mundos, em mentes de pessoas distintas. Parei na Casa Portuguesa para tomar um café e comer um pastel de Belém. A virada foi regada mais uma vez com vodka em volta de amigos num papo cabeça. Quando acordei, eles mais uma vez, me seqüestraram para comer no meu primeiro dia de 26 anos as melhores patatas bravas de Barcelona.

Simplesmente obrigada!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

"Cuando conquistemos la mente con las dudas, el corazón con las ideas, el presente con la infancia, los sueños con un par de zapatos usados y a los desconocidos con una conversación de silla de miembre bajo la mirada de una higuera, cuando respiremos todo y ya no queremos estar en otra parte, justo en ese momento, habrá llegado la hora bruja"
Silvia Manzana Hidalgo

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Raval, Zapatero, Outono

Mesmo com um vento gelado, achei melhor sair de casa. Mas dessa vez sem a companhia de Barcelona. Agora era só eu. Simplesmente só eu. O lugar escolhido foi o MACBA. Queria ver se o Raval ainda me inspirava. Se o poço de cultura pudesse hoje só gritar em meus ouvidos. Cheguei, sentei e comprei una cerveza dos paquistaneses. O MACBA não gritou, não berrou, nem falou. Estava mudo. Como talvez deveria estar. De longe escutava "Ela não é mais a minha pequena, que pena, que pena". Sim, o cara alí que tocava e cantava era brasileiro. E ao invés de me juntar, como de costume, fiquei ali, parada, sentada, com a minha cerveja. E dá-lhe cerveja. Como pode? Como pode existir um lugar assim onde todo mundo faz o quer sem perturbação? Sem assalto, sem perigo, sem polícia? Como pode ser proibido beber na rua e aqui todo mundo pode? Bem-vindo ao mundo de MACBA falei baixinho para mim mesma. Hora de dar rolê. Andar pelo Raval parece me dar forças, parece que não lembro de mais nada, que não sinto mais nada. Olvidate! Entro num bar, sento na barra e peço una caña. E ai, sempre aparece aqueles doidos que entra no bar e grita:
- O Zapatero é um falso!!!
Ninguém liga. Só eu, que fico olhando com aquela cara pensativa... se o Zapatero é um falso, imagina o Lula. Imagina então o Fernando Henrique. E o Maluf!!!! O que seria então o Maluf?
- Eu sou a favor da esquerda!!!
- E o Zapatero não é da esquerda? pergunto eu, sem querer que as palavras saem da minha boca.
- Não! Ele é o meio entre a direita e a esquerda. A esquerda aqui vê um bem para todos, porque todos tem direito de comer.
- Acho que vocês espanhois comem bem comparados a outros países!!!
- A menina tem razão. comenta o garçom
- De onde você é?
- Do Brasil!!!
- Ah, vcs tem o Lula!!!
- Sim.
- O Lula é do povo. Está fazendo muita coisa pelo Brasil.
- o Lula esqueceu do povo. Chegou no poder e esqueceu a sua própria origem.
Ele se aproxima, mesmo eu querendo que a conversa acabe, mesmo já ter me arrependido de ter aberto minha boca e ele olha para mim e fala:
- As paisagens mudam, não?
- Hummmm, mudam!
- As pessoas também!
Ele continuou ali dizendo em tudo que acreditava sobre o comunismo e eu longe demais fiquei pensando nas paisagens. Cada estação, uma mudança. Mas as pessoas não mudam. Ou evoluem ou regridem. Não? Enfim, sempre pensei assim e continuei pensando na maldita frase.
- Viva a Espanha!!! - gitava ele
Eu engoli o que eu queria dizer. Achei melhor. O comunismo nunca funcionou porque sempre teve ditadura no poder e ditadura não funciona.
Resolvi sair e voltar para casa, percebendo que não há muitas árvores pelo Raval. Nunca tinha reparado nisso. Mas chegando em casa, nota-se lentamente que chegou o outono.

Montjuic, Praia, Universidade e Catedral

Precisando de um abraço, Barcelona me abraçou forte. Prendeu até meu ar, então também abracei. Fiquei assim uns dez minutos até começar a sussurar em seus ouvidos. Barcelona precisava ouvir. E ao invés de falar, segurou minha mão e me levou em cinco lugares diferentes nesses quatro dias. Um por vez. O primeiro foi Montjuic. Ela sabia que era forte e grande e só Montjuic para me acolher como me acolheu. Depois, sabiamente me levou até Bogatell, passei a tarde inteira olhando para o mar com a boca aberta. Bogatell sempre foi um lago e bem nesse dia rolavam altas ondas. É estranho olhar para o horizonte e não imaginar a África. Chegando em casa, me aconselhou a entrar no jardim da Univesidad de Barcelona. Um lugar calmo, zen, verde e bem no quintal de casa. No dia seguinte, me arrastou até a Catedral Santa Maria del Mar. A grandiosa construída pelo povo me ouviu calmamente com intervalos de prantos. Fiquei alí, jogada, sentada, tentando entender o que eu fazia mesmo dentro de uma igreja. Engoli o choro e encontrei a paz. O último lugar foi necessário pegarmos um trem. Ela dizia que eu precisava conhecer a Universidad Autonoma de Barcelona. Quando entrei, fiquei de cara. Imaginem a USP e agora tire tantas ruas para os carros e adicione caminhos para apenas pessoas. Olho para Barcelona com um olhar de agradecimento, é bom tentar curar sua tristeza em lugares como esses. E novamente sussurei nos seus ouvidos...baixinho...



domingo, 28 de setembro de 2008

Perdão você

"Cores imagens
Cores imagens
Cores imagens
Cores


Originais
As flores demais
As cores e mais amores


Cores imagens
Cores imagens
Cores imagens
Cores


Originais
As flores demais
As cores e mais amores


Não me ensina a morrer
Que eu não quero
Há diferença abstinente
No prosseguir da gente
Sei que a tendência
Anda nas frestas
No decidir da mente
É como se perder de Deus
E eu não quero


Eu não quero me perder
Eu não quero te perder
Perdao você


Eu não quero me perder
Eu não quero te perder
Perdao você"


Marisa Monte

sábado, 27 de setembro de 2008

Baladinha Pio XII em Barça


“Sou alguém que precisou estar longe de tudo que mais ama pra descobrir a si mesma. Vim com a certeza que foi a melhor escolha. Quando não tinha nada a perder, recebi tudo...quando deixei de ser quem eu era, encontrei a mim mesma. Sou alguém que tem uma luta diária e só busca o melhor, a tal da evolução. Busca incessante, que às vezes cai, mas só se levanta mais forte. Que acredita numa luz maior que me rege sempre. Que procura ver o lado positivo de cada situação, até mesmo quando parece não existir. Que acredita que só nos conhecemos quando encontramos nossos próprios limites e dai vem a experiência.. Alguém que acredita que o encontro de certas pessoas já foi combinado pelas almas antes mesmo que os corpos se encontrem. Que não acredita na frase “o que os olhos não vêem o coração não sente”, pois é justamente a distância que lembramos de cada detalhe das pessoas que mais amamos...se passo na rua, cada pessoa, cada gesto me faz lembrar das pessoas que agora estão tão distante. Cada frase típica, o cheiro, o jeitinho, cada detalhe. Os pequenos detalhes fazem a grande diferença, eles encantam, são particularidades de cada um e por isso se tornam especiais...eternos. Sou alguém que gosta de extremos. Brincar de harmonizar os opostos é uma arte e acredite dá certo. Você pode escolher entre ser uma vítima do mundo ou uma aventureira em busca do seu tesouro. Tudo é uma questão de como vai encarar sua vida, que é uma montanha russa, às vezes estamos por cima, às vezes por baixo. Mas como disse sempre tem o lado positivo. Se não é a conquista, é o amadurecimento ou mesmo a experiência...tudo tem que valer a pena. Basta acreditar que no final tudo vai da certo. Sou alguém que acredita em compensações...algo que anda sendo muito explicito na minha vida...ando recebendo anjos que serão eternos. Tudo isso dá muita forca pra seguir em frente e querer sempre mais. O melhor, sem egoísmo ou egocentrismo. Admiro a humildade, a compreensão e ter personalidade é o que há. Amo sorrisos sinceros, conversas, amigos, confiança e amizade é sem dúvida o maior tesouro. Minha família...minha luz...minha vida. Na busca pela felicidade estamos todos empatados, basta você fazer sua parte.”

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

"Amo a liberdade, por isso...deixo as coisas que amo livres,se elas voltarem é porque as conquistei,se não voltarem é porque nunca as tive."
John Lennon
"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”
Amyr Klink

Uma cidade romântica, louca e cheia de regras






Amsterdam nos recebeu com um frioooo e um tempo nublado. Assim que deixamos nossas malas no albergue e pegamos um mapa em direção a lugar nenhum, o sol apareceu e transformou a cidade naquelas cenas de filme de outono. Pensei que encontraria pessoas enlouquecidas numa cidade organizada. E me deparei com o oposto. Os holandeses são super arrumados e a cidade um pouco louca demais. O bondinho passa ali do seu lado e se você não prestar atenção nas bicicletas, você certamente será atropelado. Depois vem os carros. Talvez ali depois o pedestre tem vez. Mas mesmo assim não tem problema, porque logo você se depara com os canais. E eles te dão mais um motivo para você sorrir. Uma temperatura de 11 graus acompanhado de um vento gelado com um sol que aquecia, íamos andando por ai. Esse era o objetivo. Ir por ai na cidade doida, observando a vida deles, conhecendo os picos e ouvindo as informações que as pessoas davam, um pouco vazias às vezes, mas davam. Depois de rodarmos pelo centro, resolvemos no dia seguinte aproveitar o sol. Passamos o dia jogados em dois lugares no Vondelpark – um dos parques mais lindos que já vi na minha vida e no Museumplein. À noite jantamos ao lado de um canal vendo as pessoas fazendo baladas distintas em barquinhos. Passei dois dias tentando pensar em muita coisa, mas tava difícil pensar e de falar. Um passeio pelas vitrines das putas quase todas de óculos de grau querendo passar um ar de intelectualidade. Amsterdam é uma cidade romântica, liberal e acompanhada de muitas regras. A minha boina cru decidiu ficar por alí nas ruas dos canais. Uma trip de dois dias repleta de ataques de risos e de uma completa evolução. E mais uma vez, eu só posso agradecer.

Quarta Visita


Ele acaba de descer as escadas. Já estou com coração apertado. Quero ver eu acordar amanhã e não vê-lo. Uma semana de risadas, de línguas mordidas para o lado, de abraços quase sem ar, de loucuras, de descobertas, de segredos. Ontem ele me sacudiu, segurou nos meus braços e repetiu três vezes: Você é muito forte, você é muito foda. Confesso: ele segurou a barra legal. Ele me ouviu na hora que pediu para eu falar, e quando eu quis falar aos prantos, ele pediu silêncio e me abraçou como um pai. Caralho, a gente é muito irmão. É isso que me dá força. Porque sem você e sem o Silvestri eu seria só metade da Mari. Obrigada pela Sagrada Família, por Amsterdam, pela dormida no Parc Ciutadella, pela tarde na champegnheria, pelas caminhadas mesmo você me xingando, pelo ano novo de hoje a noite acompanhados pelo castelo, pela fonte, pela luz, pela música e pelos 30 minutos seguidos de fogos artíficios, obrigada simplesmente por tudo e daqui dois meses, a gente se vê!
Depois de alguns dias de chuva aqui em Barcelona, hoje fez sol como de costume. Sai cedo de casa pensando como os catalães são fortes. Hoje é dia da Mercé, a padroeira de Barcelona. Tantas festas nas ruas, o sol tinha que aparecer. Fui em direção a Montjuic. Precisava ver hoje algo muito grande que me confortasse, e só o castelo de Montjuic era capaz. Quando cheguei na Plaza España, sentei no primeiro banco e desabei. Chorei como há tempos não chorava. Preciso ser forte, mas muito forte e mesmo assim eu desabei. Eu tenho a mistura de sangue italiano com espanhol e quem me conhece, percebe, é nítido. Mas hoje me considerei catalã, como nunca imaginei um dia me considerar. Tive sonho de nascer aqui, tive orgulho desse povo que tem uma força alá corinthias, talvez seja por isso que o padroeiro de Barcelona é São Jorge. Meras coincidências. A força vem de dentro. É ele lá em cima querendo provar algo. Motjuic na minha frente, a arena de Barcelona atrás. O sangue pulsa. Olho novamente para a Arena. Me vejo, me imagino. A força que está comigo agora é a mesma coragem de uma toreira. Que venham os touros...

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Pára tudo!

Páaaaara tudo, eu quero descer. No momento estou no bondinho indo até Tibidabo. Sim são 23h15. Devia estar dormindo. Amanhã tenho que buscar meu melhor amigo no aeroporto, mas a minha melhor amiga que não vejo há dois anos me ligou acompanhada de uma garrafa de vinho e eu???? eu acompanhada de voll-damm. Jurei que não beberia mais voll-damm, mas quando tua melhor amiga te liga e você abre a geladeira e só tem voll-damm, é voll-dam que você bebe. Louca para te encontrar e louca para te abraçar, eu vim correndo para isso. É reggae para variar. Sou viciada, sou viciada. Em tudo. Prepare-se! Daqui há 3 meses eu volto e preciso me preparar. Vem para enfeitar meu mundo. Pára, eu preciso descer. Pára o bonde. O barça ganhou e isso significa muita coisa. E o corinthians? Não sei. Mas quando alguém fala de corinthians eu grito: Aqui tem um bando de louco, louco por ti corinthians. sempre. sempre. Cadê a camisa? Tá aqui e tá chegando outra. Lembro do dia que me falaram: Ahhhh, vc arranja outtra. Não! não! Se alguém soubesse a intensidade da amizade, ficaria de cara. 100 minutos de conversa, conversamos como se nos vissemos ontem, mas faz dois anos e a compreensão é intesnsa. Gritosss se você casar, você me avisa 6 meses antes?????? Lógico. Minha amiga de infância casou esses dias, talvez a noiva mais linda que já vi, pelas fotos, mas a mais linda certeza. Sucesso. Amigos virando pais. Sorte, suceeso, vai com fé. Assim se vive a vida. Tantas coisas para dizer, tantas coisas para viver, tantos planos a concretizar. Ah se os pensamentos virassem realidade. Pára que eu quero descer. Por que você me olha assim? Eu já disse, vim aqui e construi um muro, e você insiste em grafita-lo, assim complica, assim complica. Pára. Pára que eu quero descer, aviso aos navegantes daqui 3 dias estarei em Amsterdan com melhores amigos, repito, com melhores amigos. Dá para alguém parar o bonde? Gracias.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Embriaguem-se de alguma coisa, por favor...

O Raval me chama mais uma vez. Dessa vez é melhor andarmos pelas ruas. Lua quase cheia. O coelho da Lua aqui sempre fica de ponta cabeça. Resolvo comentar, me acham louca. Um coelho na lua? Há loucos por todas as partes. A cada muro, a cada loja, um grafitte. E a cada grafitte uma explicação, um grafiteiro. São do bairro. Bem ali do lado, Afrika Bambaataa estava nas pick-ups. Não pude vê-lo, mas pude senti-lo através do vento gelado. Acabou o verão antes. O outono veio dizer oi sem permissão. Agora entendo a intesidade do verão aqui. Dura mais ou menos 3 meses e depois... e depois só ano que vem. Estamos em frente a uma reforma do metrô, um bando de subnorameles de diferentes países. Dessa vez só eu de brasileira com um orgulho estufado em meu peito encostada ao elevador de vidro do metrô. A lua mais uma vez ali em cima de mim acompanhada de um céu estralado. O vento gelado vem pela lateral oposta dos dois marroquinos que discutem alto a questão de ser do sul e do norte. Quem está mais perto da Espanha? pergunta um. O grupo explode de risadas. E o outro fala: você está exatamente naquele momento de Matrix, qual você quer tomar a pílula azul ou a vermelha? Acho que tomei a azul antes de pisar em Barcelona. penso eu. Resolvo sair, prefiro novamente andar pelas ruas do Raval e olhando a cena daquelas ruas lembro da frase dita pelo Alexandre do Natiruts:

. - O reggae tem a cara de Barcelona

Eu só balanço a cabeça novamente concordando com meu próprio pensamento. Eu não saberia dizer o que seria de Barcelona se tivesse uma grande quantidade de bandas de reggae, se o reggae aqui fosse cultura, se o reggae aqui estivesse presente nas baladas e nas praias. Porque pra mim o reggae muda a velocidade da vida, dos pensamentos, da respiração e do entendimento das coisas. O mundo gira um pouco mais lentamente e as vibrações são tranqüilamente absorvidas, sem quase nenhum esforço, apenas naturalmente.

Sento. Preciso beber antes de tomar qualquer decisão precipitada. Olho de novo para ruas. Eu não tenho palavras para descrevê-las. Só posso dizer que me inspiram de um jeito que gostaria de levá-las para São Paulo. Como vou viver sem elas? Prefiro não pensar. Prefiro continuar tentando descrevê-las pouco a pouco até o resto de tempo que me sobra, que me desespera e que me alegra quase na mesma intensidade. Você fala, mas sabe que não é entendido 100 por cento. Só se for na nossa língua, nas minhas palavras que já não significam a mesma coisa aqui. É necessário mais um gole. Mais um respiro e um suspiro.
Brindemos... Porque necessitamos, como diz você mesmo, estarmos embriagados. E eu me embriago de Raval.
"É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.

Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.

E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso. Com vinho, poesia ou virtude, a escolher."

Charles Baudelaire