terça-feira, 26 de agosto de 2008

Nada mais chato do que ser jornalista. Nada mais chato publicar algo que acontecerá. Nada mais chato do que avisar, do que indicar e do que sei lá mais o que. Desde quando apertei o pause no jornalismo, coisas aconteceram para eu ficar mais próximo dele. E continuo tendo a mesmo pensamento: que é a coisa mais chata. Outro dia reli meu blog. afffe deu vontade de apagar todos aqueles textos no qual eu dizia para você ir lá ver aquele show, aquele cara lá lançou CD e blabla. Isso para mim até um robô faz, mas robô ainda não sente, e é ai que quero chegar. Nada mais lindo quando você escreve aquilo que ninguém consegue enxergar, que não consegue sentir. Eu precisava agora de uma cama, mas o sono foi embora, depois de alguns goles de cerveja, de vinho, de absinto e de duas xícaras de café seguidas de uma hora de estrada. Contei quantos caminhões tinham. Cinco. Isso foi um choque. Como só cinco caminhões na estrada de madrugada? Chego em casa e me deparo obviamente com um jornal. Então faço as contas: 7 dias do acidente aéreo. Na capa, apenas uma frase. Nada de fotos, nada de sensacionalismo. Durante todos esses dias não existiram fotos de corpos com sangue, ou pedaços de corpos queimados. Fotos do ambiente queimado, de um tequinho ali do avião. Matérias enfocadas numa solução e nenhum incentivo à tristeza. A imprensa brasileira devia estagiar na Espanha. Devia ter guardados os jornais. Devia ter guardado também antes de ter começado as Olimpíadas. Ninguém falava sobre isso. Ninguém fez entrevistas com os atletas durante seis meses antes dizendo que eles seriam um sucesso, que trariam medalhas. Nenhuma esperança, nenhuma pressão. As olimpíadas só estavam nos jornais no dia em que começou. E a cada passo de um atleta espanhol, uma felicidade para qualquer resultado. Em nenhum momento escutei da boca de algum espanhol que aquele atleta falhou ou que amarelou. Lembrei da frase de um professor da Faculdade: O jornalismo é o quarto poder. Se concordam ou não, eu não estou aqui para discutir, eu só lembrei da frase. Mas tenho uma pergunta: a imprensa é o reflexo do país ou o país é o reflexo da imprensa?

2 comentários:

kele disse...

Claro que discordo com boa parte do que tu escreveu. E como tua amiga, tenho (e sei disso) todo direito e espaço para expressar meus "senaos". Vc pode até vociferar, dizer que nao, que nao quer, que odeia, mas o que vc faz toda vez que posta aqui? Jornalismo. O que vc faz quando lê as notícias nos jornais daqui? Atualizaçao de jornalismo. Vc diz que quando voltar pro Brasil quer trampar de pesquisa e eu, mais uma vez te pergunto, o que é isso? Jornalismo acaso também nao é todo embasado (ou deveria) em pesquisa? É, xuxu, na tem jeito, tá no teu sangue. Concordo com a parte de a imprensa daqui nao ser tao sensacionalista mas...nao podemos esquecer que no fundo os meios de comunicaçao sao empresas que, portanto, devem gerar lucros. Se aqui a abordagem é assim, provavelmente é porque sensacionalismo demais nao dá grana. Podemos aprender com eles. Eu acho que a imprensa é um reflexo do país. O nosso ainda tá mal mas...ainda podemos mudar isso, certo? Eu confio em mim e também em vc. E tb te amo!

Anônimo disse...

Boa matéria e boa crítica. Essa mesma crítica eu fiz ao Jose P. Neuman, do Estadão e Jornal da Tarde,(Direto da Fonte), por que os jornalistas que são teóricamente os mais inteligentes e os maiores sabedores das verdades
não denunciam e não escrevem as verdadeiras respostas? Por medo de serem demitidos ou por covardia de não assumirem a responsabilidade daquilo que escrevem? E ele me responde: "pelas duas perguntas, as vezes por medo e as vezes por irresponsabilidade". Assim é, o Mundo precisa de "homens" e "mulheres"de consciência, que queiram mudar este velhos e corrompidos hábitos de ganho de dinheiro fácil e favores absurdos, distribuição de cargos e empregos fúteis. É necessário ter vergonha na cara...é necessário ser exemplo.
Devemos cada vez mais educar a juventude porque assim teremos uma humanidade mais responsavel pelos seus atos - Não desista, mas sei que há muito que fazer. Aurelio