sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Quando você abre a porta...

É fato. O sol muda o meu dia. E quando acordei, senti uma leve necessidade de pegar um trem. Fui aqui do lado, numa cidadizinha encostada a Barcelona. Parecia a Holanda. Até que dei de cara com uma placa: Bem-vindo a cidade do nunca! Não precisei de fato decidir, a placa já tinha me convencido a entrar. Rodeada de árvores, banquinhos de madeira, senti saudade. Tentei cosmicamente sentir vocês dois do meu lado, mas não consegui. Três pessoas distanciadas por um risco. Mas isso nunca foi problema. Porque quando a gente abre a porta do universo, a gente se tromba diante de tantos planetas. E foi aí que ele apareceu. Nosso mestre. Ele estava velho demais, com cabelos brancos e a camisa meia aberta, suja de tanta terra. Eu o olhava e ele me olhava. Queria dizer tanta coisa, que me calei. Eu prefiro ouvir. Mas ele também não falou nada. Apenas sentou ao meu lado e ficou admirando os pinheiros repletos de pinhas. O meu coração estava acelerado... e acho que ele percebeu, colocou levemente suas mãos em meu ombro, deu três tapinhas e falou:

- Declame!

E eu comecei bem devagar a declamar aquilo que conseguia lembrar:

- Bom, bom, bom!! Esse é o barulho inicial e continuo da Pós-Modernidade.

Olhei para ele e falei baixinho: - Eu disse Pós-Modernidade, a quebra de todos os conceitos da modernidade, arte que revolucionou a realidade.

Ele sorriu e completou: - Xiuuuuuu! Agora homens e mulheres estão trancados em seus apartamentos. Assistem a realidade pela televisão ou Internet!

Olhei para o céu e gritei: - Estão todos conectados na atualidade, porém estão trancados em suas jaulas!!!

E ele gritou mais alto: - Individualismo!!!

Eu justifiquei: - Isto é conseqüência do rompimento e do esquecimento de conceitos revolucionários.

E ele concluiu devagarzinho: - Porém somos mais que Pós-Modernos. (Espero eu)Porque somos Uni. Porque somos Versos. Porque pertencemos ao Universo.

Eu apenas sorri e disse: - Seremos causa para depois sermos efeitos. Misturam-se as realidades. E Einstein mostrou a Teoria da Relatividade.

Ele tossiu. Já está velho demais e mesmo assim falou a mesma frase que já afirmou mais de 300 mil vezes: - Dependemos de algo para sermos o que somos.
Fiquei em silêncio. A teoria da relatividade é bem mais que números. Pena que não são todas as pessoas que conseguem entender isso.

Mais um tapinha nas costas.

- Porém a Pós-Modernidade apaga isto de nossas mentes! Aqui, agora dependemos de dinheiro e tecnologia para sermos cidadãos pertencentes à sociedade. Pós-Modernidade. O Moderno só nos traz conforto. Nos traz o aborto. O aborto de nossas vidas.

Abri os olhos aliviada. Fazia tempo que não tinha conversas sobre o universo com as pessoas. Quando fui agradecer, ele já não estava mais lá. Olhei para o céu, já estava de noite e vi como de costume, as estrelas moverem-se de lugar e isso só acontece, quando nós nos encontramos perdidamente entre o universo. E ai, eu simplesmente só fechei a porta.

Tentei tirar fotos da cidade do nunca, mas a bateria da máquina acabou bem ali. E foi ai que entendi.

6 comentários:

Anônimo disse...

Idiotaaaaa!!!!
Irado o texto, fantástico...
A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão. Estávamos juntos nesse momento.
To indo pra sampa hoje :-) Niver da Cela...
Te amo,
Beijos
AHRMMMMMMMMMMM

In Cucina disse...

ESTÁ NASCENDO UMA ESCRITORA!!!
VÁ EM FRENTE, É ISSO AÍ.
BEIJOS, MAMÃE

daniel_picolo disse...

Nina,
E o que sentimos no mais profundo vazio, onde nos deparamos com um imenso ponto de interrogação mas a resposta nao é concreta. É além, é inacabado, e dificil, por isso temos que ser uma metarmofose ambulante. Adaptação

Anônimo disse...

Mari, já dá para perceber o que Barcelona fez com você. Dias normais você transforma em dias especiais. Espero que quando você voltar para São Paulo, continue transformando seus dias assim. Porque a gente precisa da sua alegria aqui perto da gente.... beijos linda!

Gi disse...

Mais uma das fabulosas fábulas da fabulosa menina encantada! Minha menina mari, minha irmã, minha confidente, mi corazon, hermosita de mi vida! Quanto a isso, só mais uma coisa a dizer: COME BACK JACK!
Comemorarei sua volta, ao teu lado, como nos velhos tempos de nosso encontros com a "Gabi", lembra?

Mari disse...

opa se lembro. o mundo era verde pelo seus olhos. hahahha