quinta-feira, 19 de abril de 2007

Violência Moderna

Já nos acostumamos.
Fomos obrigados.
Estamos conformados.

A nossa realidade já emite outros sons.
A nossa realidade emite outras imagens.
É a nossa verdade vista e ouvida pela violência.

Não importa mais o nome da cidade.
Elas já têm a mesma realidade.

Ao invés de ouvirmos:
- Tem um trocado?
As nossas janelas já se fecharam...
Os nossos olhos fingem em prestar atenção em outra situação.

A cada tiro, os nossos ouvidos ‘puros’ têm a coragem
De acreditar que são fogos de artifícios.

E assim, artificialmente a nossa sociedade tem a frieza de dizer que vivemos.
Vivemos sim, vivemos fingindo o que não somos.

Corações sólidos.
Corações de metais.
Corações modernos.
Não quebram, não chocam, não choram.

Se modernidade hoje corresponde à descaracterização,
Desculpe pela honestidade, mas estamos mortos.
Mortos vivos, mas mortos.
Porque vemos e não fazemos.
É mais prático. Apenas aceitamos de olhos fechados, é claro.

O ser humano, o mais inteligente ser, me decepciona.
Procura sempre o mais complicado.
Perdemos as razões e as emoções de viver.

Já não existe mais beleza onde se vive.
Só há tristeza. Tristeza ignorada.

O mundo precisa de sorrisos sinceros.
Falsos, estamos cheios.
Precisamos mudar os conceitos.
Precisamos rever o que entendemos por modernidade.

Moderno não é ser só prático.
A prática está ligada à tecnologia e não em nossos sentimentos.
Sentimentos não são e jamais serão modernos.

Por isso o coração pode e deve chorar.
A sociedade nem sempre impõe o correto.
Porque o meu coração sangra e chora.
E tenho a plena certeza que o seu também.

Porque devemos ser apenas nós mesmos.
Porque se você não sabe, um sorriso sincero é melhor do que deixar de ver.
Deixar de ver por temer...

Essa poesia foi escrita por mim no dia 14 de novembro de 2002. Postei ela hoje por achar totalmente atual após ver as cenas feias do tiroteio do Rio de Janeiro e da escola americana que insiste em dizer que o assassino é sul coreano. Detalhe: ele vive nos EUA desde quando tinha 5 anos.

5 comentários:

Anônimo disse...

BELÍSSIMA POESIA!!!

Anônimo disse...

Menina Mari,
Mais uma vez me emociono com suas palavras... essa poesia, msm sendo de 2002, mostra a realidade dos dias d hj... e nos faz pensar no q realmente vale a pena... fechar os olhos ou encarar a realidade...
Por isso não direi q só nos resta tentar, mais sim realmente FAZER a diferença... seja em nossas atitudes ou até mesmo com nossas palavras...
Continue abrindo os olhos dakeles q te admiram...
Beijão
Fettinha!!!

Anônimo disse...

Mary Jane! Realmente você apavorou novamente! Continue com essa pegada que você tem de tempos atrás, porque seus textos contribuem para uma visão realista das coisas. E nesse texto, por exemplo, você diz coisas que a mídia convencional não diz! Por isso, você tem papel e talento que são fundamentais para abrir o olho do leitor! Mais uma vez, PARABÉNS! Beijo, Tiago Porto

Mari disse...

meninos fofos!

Marcos Camargo disse...

Bela oportunidade de levar ao público alguma reflexão útil sobre o jornalismo. Essa atividade está ferida por interesses, marcada pela superficialidade condenada a permanecer assim. Nas universidades o espírito crítico é fraco, faltam idéias novas. No jornalismo cultural se fala sobre teatro, cinema, mas não se fala da arte comum. Está à vista, sob nossos olhos. O jornalismo está doente...