quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Veeeeeeeeeeeeeeeeeeem

Não leia este blog, se você não quer sofrer. Já não devo mais nada. O mundo dá voltas. E ai pergunto se ele der mais uma, você suportaria? Não quero nem saber, eu levanto, me firmo, ai me passam a rasteira. Mas levanto de novo doido, aqui é mistura de sangue espanhol com italiano. O mesmo que fundou o Corinthians. Haja força. Mas dessa vez logo aviso, não tem capa e nem toro. Eu estou é com espada e escudo. De batalha em batalha, ganhamos a guerra e quero ver quem me derruba agora.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

La SaLa RoJa

A pista vazia. As luzes e as paredes vermelhas. O som a base de Fela Kuti. O DJ tocava só pra mim. E meu corpo refletia o som que entrava em meus ouvidos. Fazia tempo que precisava escutar um som assim. Na barra quatro chupitos de tequila. Na boca o sabor do limao. Na mente um texto pronto. O corpo mexia-se. O som tocava. O DJ entendia. Os olhos fechados. Um sorriso estampado. Antonio bebado no sofá vermelho. Convido. Antonio nao se mexe. Grito: Ou voce se levanta ou te aviso que meus dias estao acabando. Ele rapidamente começa a dançar. Pausa. Antonio é um dos meus melhores amigos daqui. Sábio, sincero, boca aberta, amigo, gay, brasileiro, trabalhador e festeiro. Dança como só ele. E a pista já está pequena. As pessoas dançam como se fosse o último dia. De Michael Jackson a Prince. A pista bomba. Um ar de madureira invade, convida e provoca. Encontros e desencontros. Barcelona é pequena. A imagem registrada é vermelha. Um copo amarelo e o outro incolor. Isso significa que eu e Keke estamos bebendo. O calor dentro. O frio fora. Sexta-feira. Toda sexta-feira é noite de sala roja.

Saudade Esquecida

Em dias nublados a gente espera um vento forte, para que passe, para que leve e para que clareie o dia e a minha mente que borbulha interrogações. Depois do vento forte, eu sei, serão apenas exclamações. Enquanto isso num frio gelado europeu, eles aparecem virtualmente com palavras surpreendedoras. Cada um numa vibe, num momento. Já parei de julgar. Cada um é cada um e ponto. Eu amo vocês absurdamente. E a saudade de vocês se misturou rapidamente com a minha saudade e foi tenso. E não há mais nada que possa escrever, quando eu já escrevi tudo há 6 anos atrás:

Eu tinha saudade.
Eu tinha saudade,
E não sabia.

Era isso o que me consumia.
Eu simplesmente não sabia,
O que me faltava era tão pouco.
Bastava apenas estar do lado,
Dizer algumas coisas,
Escutar algumas outras,
E sorrir do jeito que só nós sorrimos.

Eu tinha saudade.
Isso eu deveria saber.
Que era só a saudade,
Só a saudade que me faltava.

Só a saudade que me traz um bem,
A saudade que quero viver quase todos os dias.
A saudade que queria que muita gente conhecesse
E ao mesmo tempo, ninguém...
Basta nós!
Basta nós,
Nós que tínhamos saudade,
Saudade esquecida,
Saudade enriquecida.

Eu tenho saudade,
E gosto de té-la.
Agora eu sei,
Sei que não me falta,
Mas me falta de vez em quando.

Mari 09/06/02

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O senhor e a Guerra Civil Espanhola

O relógio marca dez horas da manhã. Ele está sentado num banquinho de uma praça. Parece até que espera ansioso alguém chegar. O senhor está com uma calça cinza, uma camisa azul bebê, um colete de lã bege por cima e uma boina xadrez. Com uma aparência de 87 anos, ele segura um jornal com uma mão e com a outra a sua bengala. O seu olhar só se desvia do jornal quando ela se aproxima. Ele sorri tranquilamente. Ela com aparência de 84 anos senta cuidadosamente ao seu lado e começam a conversar, entre tosses e risadas. Depois de vinte e cinco minutos, ela se levanta cuidadosamente, se despede e caminha uns 30 passos pequenos até a porta da sua casa, exatamente atrás do banquinho que estou sentada. Ele ainda a olha com um sorriso. São amigos, ou paixão nunca vivida. Ele volta a ler o jornal. Página por página. Quando termina, sou eu quem está sentada ao seu lado. Ele me olha com cara de espanto.

- Você é aquele menina jovem que estava sentada naquele banco! Fala ele apontando para frente.
- Sim, sou eu.
Ele olha para o banco vazio, arruma a boina e deixa o jornal de lado.
- Você tem cara de italiana!
- Haha! Que raro! Minha mãe é italiana!
- Acertei! diz ele com um sorriso de avó.
- Não. Eu sou brasileira! Minha mãe é italiana e meu pai espanhol.
- Teu pai é espanhol????
- Sim, de Zaragoza!
- Ah, ele é maño.
- Si!
- Os maños são assim: pessoas muito boas, mas tem uma cabeça turrona!
- É, eu sei.
- Você mora com seus pais?
- No Brasil sim, aqui não. Moro sozinha.
- E o que você faz em Barcelona?
- Vim dar um tempo, pensar na minha vida.
- E já pensou?
- Demais.
- O tempo que mais pensei na minha vida foi na guerra civil espanhola. Tinha 17 anos. Você sabia que aqui foi a primeira cidade espanhola atingida pelas bombas?
- Sei, tem até as marcas das bombas numa igreja perto de uma antiga escola, não?
- Isso! Lá foram as primeiras bombas. Eu morava ali do lado. Minha mãe estava comigo e com meus 2 irmãos mais novos. Aquele dia, meu pai que era republicano, acordou cedo e disse a minha mãe que maus ventos estavam chegando. E por isso pediu a minha mãe que ninguém fosse para escola naquele dia. Saiu de casa para ir até a casa do tio Jordi, que tinha um rádio e todo os amigos do meu pai e do meu tio, que eram também republicanos iam todos os dias lá para escutar as notícias. Foi bem nesse tempo, que os aviões começaram a soltar as bombas. A minha mãe já estava preparada com todos os colchões de nossas camas ali bem perto de nós na sala. Quando escutamos a primeira bomba, mamãe nos colocou embaixo de 4 colchões. Assim, se a parede caísse, não nos machucaria.
- A minha avó também fez isso!!!!!! A minha tia já me contou isso várias vezes.
- Mas em Zaragoza?
- Não sei direito. Porque meu pai morou aqui dois antes de ir para o Brasil. Se bem que meu pai não era nascido na guerra. Deve ter sido em Zaragoza.
- Você consegue imaginar isso daqui há tempos atrás cheio de gente se matando?
- Não. Deve ter sido muito triste.
- E foi. Porque a Espanha foi um palco da guerra. Porque Franco pediu ajuda para Alemanha e para Itália. E os republicanos aos russos. Imagina a baderna que virou a Espanha. Todo mundo aqui lutando. Muita gente morreu, mais de 1 milhão de pessoas!!! E dentro delas, meus dois melhores amigos.
- ahhhhhhhhh
- É nena, não precisa chorar e nem ficar triste. Já passou.
- Desculpe. Não me contive. É que imaginei eu perdendo meus dois melhores amigos numa guerra aos 18 anos. Acho que eu teria morrido junto.
- Você não morreria!
- Acho que sim!!!
- Não nena. Você faria como eu. Lutaria por eles. Lutaria para um país melhor. Lutaria para acabar com a vida daqueles hijos de puta malditos!
- E seus pais e seus irmãos?
- A minha família ficou bem. Passamos fome, ficamos pobres. Não podíamos nem falar catalão na rua. Sabia disso?
- Sabia! Eu admiro os catalaes por isso. Vocês passaram por tempos muito tristes e resistiram!
- Claro! Hay que luchar siempre! Até agora eu luto com essa bengala maldita.
- hahahahahaa
- Você ri né? Sinto saudade de andar por ai só com minhas pernas. E agora isso. O mundo de novo em crise. Onde vamos parar?
- Eu é que te pergunto!
- Eu já não sei mais nada. As pessoas todas estão loucas. Olha o cabelo dessa nova geração!!!
- É um pouco moderno demais. Falo eu
- Moderno? Isso é ridículo!!!
- hahahaha

Ele se levanta e se despede. Beija minha mão. Diz que tenho a idade de sua neta. Vai andando tortamente com sua bengala em direção a calle Diputacio. E eu fico olhando para os prédios, pensando que não deve existir coisa pior do que passar por uma guerra, mas que às vezes, depois que ela passa, coisas boas surgem. Há diferenças entre um povo que passou por uma guerra daquele que nunca imaginou que possa ter existido uma. E isso você só percebe quando vive num país pós-guerra.

Mude-se

2008 o ano do rato, o ano de mudanças. Hoje entendi. O ano foi tão forte que embaralhou a mente até de uma formiga. Todo mundo mudou. Até o mundo, que aos poucos vai caindo conforme a economia que gira, que não gira, que se explode em qualquer esquina.

Um ano de esperanças, de casamentos, de filhos nascendo, de encontros desencontrados. Parece até que perdemos a hora. Está tudo de ponta cabeça e são poucos que plantam bananeira e caminham pelas ruas que estão sem semáforos. Sinalizar o que? Se já estamos sem ordens, sem sinais e sem direção. O ano que apontava soluções, cordões e mudanças para uma vida melhor, surpreendeu a todos. Quem disse que esse era o recado? Quem disse que passar por mudanças é fácil e leve? A cada mudança um coração partido, um bolso sem dinheiro, uma cerveja pela metade abandonada numa barra qualquer de um bar.

Se Einstein estivesse vivo nos diria que até o Universo mudou, que as estrelas moveram-se de lugar, por mais que estejam mortas. A lua, podem observar, fica no máximo fica 2 dias cheia. E entre tantas pessoas indo e vindo, e entre tantas bolsas subindo e caindo e entre tantas tentativas de registrar o momento numa câmera, eu posso dizer que mudanças são sempre bem-vindas. E que 2009 seja o ano de concretizações de boas idéias, porque ai só faltarão 3 anos para a limpeza total do universo, o calendário Maia.

Aviso aos navegantes desse mundo...

Existia dentro de mim duas Mari. A Mari que diz não e a Mari que diz sim. A mari que diz não cresceu comigo, perdeu muitas coisas por ser radical, mas é forte e tem um orgulho maior que minha alma. A Mari que diz sim nasceu aqui em Barcelona, ela é mais fraca, mais sentimental e muito mais na paz. Hoje numa conversa com um sábio Pai, eu assassinei a Mari que diz sim. E a única coisa que tenho para dizer é ME CAGO EM TUS MUERTOS. E cuidado, nunca diga isso a um gitano!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Desabafo, anjo e el niño de pijamas

Num dia em que muita gente te pede conselho, eu dou conselho para aquele que não quer ouvir. Na verdade não é conselho, é história. História que passou, que marcou e que machucou. A raiva só passou depois de 3 meses rezando quase todos os dias em desespero. Não é bom sentir raiva de alguém, bom mesmo é desejar sorte e sentir-se leve. Mas hoje, a casa caiu. Não para mim. Mas para alguém que devo. O anjo. O anjo que se abasteceu de raiva e de querer retribuir o que não se deve retribuir. Sacudo. Hoje é ele que precisa ser sacudido, não eu. Sacudo e imploro: me escuta!!! Sei que tenho menos 20 anos que você, mais isso aconteceu comigo. E vocês só vão se machucar, sociedade é assim. Se ele te cutuca, você sai por cima. Essa é a regra, por mais que seja difícil. Mas mesmo assim, ele não me escuta e vejo o anjo quase caindo no chão, sem asas para voar. A última tentativa: Já viu o filme El Niño de Pijamas con Rayas? Então, você não precisa fazer nada. A vida já faz. E ponto. Mas o anjo está cego, assim como eu estava. E isso me parte o coração. Sabe por quê? Porque ainda lembro da última ligação que recebi antes de pegar o avião pra cá. Seja humilde, dizia ela, seja humilde. Ela já tinha me ensinado isso, além de milhares de outras coisas que já me ensinou na vida. Mas essa frase entrou dentro do meu corpo e fez-se do meu corpo e da minha mente. Seja simplesmente humilde....E foi a humildade que lhe faltaram....